Salve, comunidade do samba!!
Primeiramente gostaria de dar boas vindas e dizer que este projeto é um sonho antigo. Poder falar dessa paixão eterna que é o carnaval parece tão fácil para algumas pessoas, que chego a pensar na banalização desta festa. Os “estrangeiros” invadiram nossa praia! Até aqueles que hoje se dizem conhecedores do assunto se atrapalham nas palavras e tentam resumir o assunto em poucas linhas. Mas abordarei este assunto em outra oportunidade.
Obviamente os senhores não me conhecem, mas sou de uma família de sambistas que há mais de trinta anos mantém uma relação direta com o carnaval, seja desfilando ou dirigindo ala. Particularmente desfilei por vinte anos, sendo dezessete deles ininterruptamente. Por razões profissionais, me afastei do sambódromo, mas não do carnaval. E o que vem me chamando a atenção nestes anos é o inchaço das escolas. Este fenômeno sempre foi privilégio das grandes, em particular Salgueiro e Portela. Mas escolas menores estão passando pelo mesmo problema e desfilam com um contingente do porte das grandes, sem condição de faze-lo, e acabam pagando por isso. Tirando os problemas de administração e carnavalescos com gostos e trabalhos duvidosos, escolas tradicionais como Estácio e União da Ilha sucumbiram ao achar que poderiam desfilar com quatro ou cinco mil componentes. E se não tomar cuidado, a próxima “vítima” será a Caprichosos, nitidamente indo pelo mesmo caminho.
A grande dificuldade das escolas, além do tamanho, é de pessoas que caem de pára-quedas na avenida no dia do desfile, aprendem o samba ali na concentração (quando aprendem!), bebem todas e acham tudo lindo. Quando entram na avenida, não sabem o que fazer: se choram de emoção pela festa, se vão para frente ou para trás, ou se olham para as câmeras de televisão para a família que está lá no Japão poder vê-las! Inevitavelmente abrem-se buracos, a escola fica lenta e o conjunto fica comprometido. Vejo diretores de alas desesperados tentando colocar ordem, sem sucesso. E aí, quando parece que a casa está arrumada, vem aquele diretor correndo como um atleta olímpico e diz, implacável: “Acelera que vai estourar o tempo!”.
Não sou tão radical em meus pensamentos e sei que é inevitável que neste mundo globalizado não se tenha pessoas de fora participando dos desfiles, certamente por razões financeiras. Também não tenho nada contra. Mas o problema é que se perdeu o controle e os desfiles ficaram comprometidos. Esta preocupação parece que está passando pela cabeça dos dirigentes das escolas e algumas já avisaram que vão reduzir suas alas. Apesar de não ser fã da escola, o exemplo da Imperatriz deveria ser seguido pelas outras. Sendo campeã ou não, o contingente dificilmente passa dos quatro mil, fazendo com que as notas de conjunto sempre fiquem próximas de dez.
Há que se refletir neste quesito e repensar na invasão destes “estrangeiros”, brasileiros ou não, e dar um pouco mais de atenção e chance ao povo carioca que é quem realmente entende de desfile. Até a próxima!! |