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Da Redação. 18/02/2010

Unidos da Tijuca é a grande Campeã do carnaval

Grande Rio fica em segundo, seguida da Beija-Flor. Viradouro é rebaixada

Foto: Ricardo Almeida

Com um dos melhores desfiles dos últimos anos, a Unidos da Tijuca se sagrou campeã do carnaval 2010, após 74 anos de espera. Muito à frente das outras, a escola fez um desfile perfeito e não deu chances aos concorrentes. O resultado em si não mostrou essa superioridade, pois ficou apenas 0,5 pontos à frente da segunda colocada, a Grande Rio, que depois de realizar ensaios técnicos cheios de problemas, mostrou que é escola de chegada e por pouco não belisca o campeonato.

Mas a verdade é que a Tijuca sobrou na turma. Plasticamente, se não foi impecável, chegou perto. Com um bom samba, contagiou seus componentes que vibraram e cantaram o tempo todo. A comissão de frente, de longe o ponto alto da escola, contribuiu demais para o desempenho da escola, porque invariavelmente levantava a Sapucaí com ilusionismo nunca visto na avenida. Trocavam de roupa em apenas 2 segundos e deixavam atônitos todos os presentes, que não acreditavam no que viam. E foi assim por toda a avenida. Com isso, o componente que vinha logo atrás também era contagiado com esta energia. Fora isso, carros alegóricos em sua maioria muito bem acabados e bem executados, trazendo como sempre, surpresas com elementos humanos que interagiam com a platéia. Até Michael Jackson apareceu. De tão vibrante era o desfile, o ator que o representava se empolgou logo no setor 1 e esqueceu que tinha que voltar para uma espécie de caixa que tinha que ficar. Paulo Barros, que estava num vai e vem frenético, repreendeu a responsável pelo carro dizendo: "Você precisa segurar ele! Tem que lembrar que ele só pode aparecer dois minutos!". E saiu para continuar a ver a escola. Sapos pulando e uma lagarta que era formada por integrantes de uma ala também engrandeceram o desfile. Um show.

Tudo deu certo. Harmonia e evolução perfeitas e a bateria de mestre Casagrande fazendo jus ao apelido que carrega: Pura Cadência. Nela, outra grande sacada, que foi a roupa de gangster e o carro que passava no meio juntamente com a rainha de bateria Adriane Galisteu, tudo orquestrado.


Foto: Ricardo Almeida

Segunda colocada, a Grande Rio mostrou que, apesar de um enredo e samba bastante criticado e depois de realizar fracos ensaios técnicos, definitivamente é uma escola de chegada. Fez um desfile correto e sem tropeços, mas ainda assim parece que falta algo para a escola ganhar o carnaval.

O enredo foi contado de forma didática, com fantasias e alegorias que contavam a história dos grandes carnavais da Sapucaí. O senão ficou para o homem voador. Ele chegou a executar um vôo na concentração, mas ao que parece o cilindro de hidrogênio vazou e ele não apareceu no desfile. A bateria de mestre Ciça continua acelerada, e mais uma vez não obteve nota máxima, assim como o samba-enredo. Nestes dois quesitos, a escola perdeu três décimos. Fez uma bela e justa homenagem a Joaosinho Trinta.

 

 


Foto: Ricardo Almeida

A Beija-Flor foi, juntamente com a Grande Rio, a escola que teve seu enredo criticado por muitos. No fim do ano passado, a situação ficou mais delicada devido ao escândalo de corrupção envolvendo o governo do Distrito Federal, colocando em cheque a verba que o mesmo destinou para a escola.

Alheia a isso, a Beija-Flor fez um desfile como de costume, mas sem apresentar nenhuma coisa a mais que as outras. Se fosse usar uma palavra para definir o desfile nilopolitano, essa seria: Correto. E só.

Alegorias e fantasias igualmente grandes, fizeram com que a escola ficasse demasiadamente pesada. Mesmo assim, conseguiu nota máxima em samba-enredo, mas em alegoria perdeu três décimos que podem ter lhe tirado o vice-campeonato.

 

 


Foto: Ricardo AlmeidaA Vila Isabel, quarta colocada, foi muito prejudicada pelo som da avenida logo no início do desfile que esfriou a animação dos componentes. Mas o que irritou o presidente Moisés foi a nota dada a bateria, 9,4. Para o jurado, a bateria da Vila foi a pior que passou na avenida. Transtornado, Moisés chamou o jurado de ladrão e safado, e disse que ele sempre prejudica a Vila.

Analisando friamente, o que ocorreu é que com este problema no som, a escola se perdeu na avenida. Tanto que só conseguiu notas máximas em samba-enredo e harmonia. O nervosismo da direção da escola foi sentido por todos. Além disso, já era sabido antes mesmo de serem abertos os envelopes que a escola perderia pontos em comissão de frente. Em frente ao terceiro módulo, um dos componentes colocou o violão ao contrário, e em vez de vir em sua direção correu para as arquibancadas, na frente dos jurados. Em alegorias, a Vila perdeu seis décimos, um abismo nesta disputa tão acirrada. O abre-alas só funcionou para a TV e alguns carros tiveram sua leitura prejudicada pelas composições, como o que representava o bando dos Tangarás. No mais, a Vila fez um desfile morno e "passou" na avenida.

 

 


Foto: Ricardo AlmeidaO Salgueiro não foi nem de longe a escola que arrebatou o público no carnaval passado, fez um desfile morno e apenas correto, conseguindo a quinta colocação. Já no primeiro quesito a escola estava fora da disputa. A bateria de mestre Marcão não consegiu a eficiência de costume, e perdeu meio ponto.

O desfile num todo foi complicado. Enredo confuso gera normalmente sambas fracos. E foi o que aconteceu com o Salgueiro. Tinha apenas um refrão apelativo e nada mais. Neste quesito, mais três décimos perdidos. A escola foi se perdendo ao longo da avenida e acabou com um desfile morno, quase um passeio. O destaque ficou por conta da rainha de bateria, Viviane Araújo, com uma fantasia belíssima, esbanjou samba no pé a habilidade em tocar tamborim.

 

 


Foto: Ricardo AlmeidaSexta colocada, a Mangueira chegou a dividir a liderança com a Tijuca nos três primeiros quesitos, mas foi perdendo pontos em todos os quesitos seguintes. Apesar de um desfile empolgante, a escola sucumbiu em suas próprias limitações.

Enredo, alegorias e fantasias foram os quesitos que mais tiraram pontos da escola, 1,6 pontos. De qualquer forma, a garra dos componentes fez a diferença mais uma vez. O destaque ficou por conta de Carlinhos de Jesus e seu grupo, que fizeram uma performance maravilhosa junta à bateria, colocando grades e simulando os tempos de ditadura com guardas fardados.

 

 


Foto: Ricardo AlmeidaSUPERAÇÃO

Sétima colocada, a melhor posição desde 2003, a Mocidade Independente de Padre Miguel fez um desfile de superação, depois do desastre que foi o carnaval do ano passado. O samba era fraco e o enredo confuso, mas com o canto e a garra dos componentes, se superou.

Com um samba fraco, a famosa bateria não foi constante e saiu de sua costumeira cadência, tendo que acelerar o andamento. Bereco até que tentou, mas o samba realmente não funcionou. Como dissemos anteriormente, enredo confuso, samba fraco.

 

 


Foto: Ricardo AlmeidaDECEPÇÃO

Apenas na oitava posição, a Imperatriz Leopoldinense foi a grande decepção do carnaval. Dona do melhor samba do ano, a escola não se encontrou na avenida e o mesmo samba não aconteceu. Para piorar, problemas no carro abre-alas, que era enorme, prejudicaram o andamento da escola. Os componentes gresilenses tiveram dificuldade para evoluir com as enormes  e quentes fantasias, fato que ficou evidente na ala das baianas, que mal conseguiam rodar. Com isso, a escola fez um desfile chato, arrastado e sem o brilho de outros carnavais.

Destaque sem dúvida nenhuma para a bateria de mestre Marcone. Junto com a Mangueira, foi a única a conseguir nota máxima.

 

 


Foto: Ricardo AlmeidaNa mesma situação ficou a Portela. Mais que decepcionante, foi um desfile que os portelenses vão querer esquecer rapidamente. O enredo em nada contribui, as fantasias eram de difícil leitura e as alegorias de extremo mal gosto e mal acabadas. A águia, símbolo maior da escola, virou “Transformer”, e veio por toda a avenida com um bizarro som. O fato de querer inovar é louvável, mas há que se levar em conta a tradição da escola, acostumada a fazer desfiles luxuosos que os portelenses tem tanto orgulho. Assim, a Portela, com o nono lugar, fica com o título de “Desfile Trash” do ano.

O destaque fica apenas para Lucinha Nobre e Rogerinho, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, e para a já famosa harmonia da escola.

 

 


Foto: Ricardo AlmeidaSeguindo sua sina, a Porto da Pedra subiu uma posição em relação ao ano passado e ficou com a décima colocação. Com um enredo de difícil desenvolvimento e fantasias idem, fez um desfile cansativo ajudado pelo fraco samba. Mais uma vez, o enredo influenciando diretamente no samba e em alegorias e fantasias.

Fica a expectativa para o ano que vem para, enfim, depois de nove anos no grupo especial, a Porto da Pedra dizer a que veio.

 

 


Foto: Ricardo AlmeidaNa décima primeira colocação, a União da Ilha merecia estar um degrau acima. Fez um desfile correto e digno, esem sombra de dúvidas foi melhor, por exemplo, do que a Portela. Se as posições fossem trocadas seria mais justo.

Mas o fato é que a escola acaba de voltar para o grupo especial depois de oito anos. Isso tem que ser levado em consideração. Fez um esforço soberbo para quebrar a escrita de que escola que sobe desce no ano seguinte, e conseguiu. Pelo menos isso.

Assim, a União da Ilha pode se estruturar melhor para o ano que vem e tentar acertar problemas crônicos, com a harmonia da escola.

 

 


Foto: Ricardo AlmeidaTRAGÉDIA ANUNCIADA

Na última colocação, a Unidos do Viradouro confirmou todas as especulações pré-carnaval. Com um enredo oportunista, mal desenvolvido e com um dos piores sambas do ano, foi rebaixada. Um desfile sem brilho, sem empolgação, fantasias confusas, mal acabadas e sem palheta de cores, um desastre. Nem de longe foi a escola que conhecemos. Perdeu a identidade. Nem Wander Pires, com todo seu esforço e único digno de elogios, deu jeito.


 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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