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Baterias e suas contradições

Salve, Salve!!!

É com grande prazer que inauguro esta nova fase do site, que passou por uma “repaginada” e ganhou novas colunas e colunistas. Fiquei um bom tempo sem exercitar a escrita, pelo grande acumulo de funções neste último carnaval, mas estou retornando e prometo que o farei de forma mais constante.

Passeando pelos sites de carnaval, eis que hoje me deparei com uma coluna do amigo Eugênio Leal falando sobre os troca-trocas do carnaval, dando ênfase as baterias. Neste quesito, me sinto bem à vontade, até porque é um assunto que sempre falo e estou mais acostumado.

Assim sendo, vou pegar carona e falar o que falei em um texto escrito no Blog em agosto de 2007 (Leia aqui o texto), ou seja, há quase dois anos, e que me parece estar mais atual do que nunca. E o título também me parece ser atual: “Andamento das Baterias e suas contradições: O ataque dos Clones”. Neste texto, há um parágrafo que gostaria de colocar aqui:

“Acho incrível como um mestre de bateria tem o poder de mudar as características de uma bateria, preocupando-se tão somente com seu ego, e fazendo aquela forma de tocar como verdade absoluta.”

É o que acontecia naquela época e ainda está acontecendo. Só que desta vez, dois ícones mudaram de endereço: Mestre Ciça e mestre Átila. O primeiro sai da Viradouro para assumir a Grande Rio, e Átila, mesmo não deixando totalmente o Império Serrano, assume a bateria da Vila Isabel. E mais uma vez devem levar seu jeito de tocar e mudar as características das baterias. Seria ótimo se isso não acontecesse, e que eles mantivessem os ritmistas nas suas devidas funções, em especial os diretores, mas acho que isso será uma tarefa difícil.

Fico me perguntando: Será que não há nenhum integrante da bateria que não possa assumir este posto? O caso da Vila é mais impressionante que isso não tenha acontecido. Será que Mug, há trinta anos à frente da bateria, não preparou ninguém para este momento? Sabemos que um dos filhos dele o substituía em várias situações, e mantinha o andamento da bateria. Seria natural essa substituição. Mas por algum motivo que desconhecemos, a direção da escola preferiu tomar outro rumo. Ou realmente não há ninguém competente ou a direção da escola não confia em ninguém. Fica então a pergunta. Na Grande Rio, a indagação é a mesma. Mestres dos mestres, venerado e idolatrado, Odilon sai sem que nenhum de seus diretores assumisse o posto.

É certo que a bateria da Vila estava precisando de uma sacudida. Sem querer julgar as notas do último carnaval, que particularmente acho que não refletiram a realidade, ela realmente não estava bem. No último ensaio antes do desfile, alguns integrantes se queixavam de algumas paradinhas e suas retomadas. Mas daí a ser classificada como uma das piores do ano foi um pouco exagerado. Já a da Grande Rio não há muito que falar. Odilon conseguiu quase que a perfeição em termos de ritmo. Saiu por razões pessoais e pelo desgaste com a direção da escola. Ciça, outro competente diretor de bateria, fica com a missão de colocar pimenta nela, o que é uma de suas características, assim como fez com a da Viradouro.

Mas não temos dúvidas de que algo vai mudar nestas duas baterias. Na Vila, Átila já avisou que vai diminuir o número de ritmistas, em especial os mais velhos, fazendo, palavras dele, rejuvenescer a bateria. Outra atitude importante é que o dia dos ensaios irá mudar para o mesmo dia que a bateria do Salgueiro ensaia. O motivo é simples: Quer saber quem toca nas duas agremiações, e assim dar a oportunidade para estes ritmistas escolherem aonde quer ficar. Eu que vos escrevo, sei e conheço muitos ritmistas nesta situação, e afirmo que isso não é privilégio só da Vila e do Salgueiro. Como são em muitas, prefiro falar das que esse fato é mais raro: Somente Mangueira, Mocidade, Imperatriz e Império Serrano. Então, dá prá entender porque estas baterias se mantêm com suas características quase que intactas.

Não quero aqui tirar o mérito destes grandes mestres de bateria. Mas o fato é que o carnaval se tornou um grande mercado, onde não há mais pudor e o amor pela escola ficou em segundo plano. Alguns, nem amor pela escola têm. Só tem amor próprio, e o “eu” fala mais alto. As escolas não valorizam a prata da casa, e se importam exclusivamente com o título, não se importando com quem realmente faz o desfile acontecer, que é o componente. E é bom lembrar que o ritmista também é um componente e faz parte do todo. Está acontecendo o que já acontece com o futebol carioca: A cada ano, troca-se o time inteiro e os pobres torcedores sequer conseguem escalar o time de cabeça. O carnaval está indo pelo mesmo caminho.

Até a próxima!!


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