Aniversariantes do mês:

 

 


Por Amilton

 

 

mangueira

 

Nesta edição vamos ler sobre uma das primeiras e mais expressivas agremiações. Uma escola de samba identificada facilmente pela suas cores, por seu estilo de samba, uma das grandes responsáveis por esse espetáculo que é o carnaval carioca hoje em dia e pela magnífica história e importância que os desfiles e as agremiações têm hoje na cultura brasileira. Estamos falando em nada mais nada menos do que da MANGUEIRA.

mangueiraA Mangueira chegou, oficialmente, em 28 de abril de 1928, para sacramentar a união dos componentes do Bloco dos Arengueiros e demais sambistas do Morro da Mangueira. Cartola até havia composto um samba propondo a união:

Chega de demanda*
Com esse time temos que ganhar
Somos a estação primeira
Salve o Morro da Mangueira
*no contexto, significa briga

mangueiraDaí saiu a imponente denominação de Estação Primeira de Mangueira. O saudoso Juvenal Lopes informava que o nome Estação Primeira de Mangueira foi dado por causa de um samba de Cartola, intitulado Chega de demanda. A expressão Estação Primeira, que antecedem a palavra Mangueira, foi adotada por ser a Mangueira, na época, a primeira estação, partindo-se da gare de D. Pedro II. Por outro lado, alguns dizem que o nome Mangueira foi por causa de uma fábrica de chapéus no bairro, ou, até mesmo, devido à quantidade de mangueiras que existiam no morro. As cores, verde e rosa, também foram sugestão de Angenor de Oliveira, o Cartola, as mesmas do Rancho Arrepiados, que fez parte de sua infância. O Símbolo da escola apresenta um surdo, dois ramos de louro, uma coroa e várias estrelas. O surdo representa o samba; os louros, as vitórias; a coroa, o bairro imperial de São Cristóvão; e as estrelas, os títulos.

mangueiraNo dia da fundação, estavam presentes, além de Cartola, Saturnino Gonçalves, Abelardo da Bolinha, Maçu, Pedro Caim, Euclides Roberto dos Santos e Zé Espinguela.

O primeiro mestre-sala da agremiação foi Mansur. Foi a primeira escola a definir as cores. Introduziu nos desfiles, primeiramente, o pandeiro oitavado. Mantém até hoje somente uma única marcação, costume vindo desde a fundação da escola, quando Lúcio Pato tocava o surdo de 1ª que caracterizava tal marcação (sem resposta). Criou a primeira "ala de compositores" das escolas de samba.

E logo nos três primeiros desfiles oficiais Mangueira mostrou que era uma escola de peso: foi a campeã em 1932, 33 e 34. Ao longo de sua história, já ganhou 16 carnavais, só perdendo em número de títulos para a Portela, que tem 21.

mangueiraO heptacampeonato da azul-e-branco de Madureira (41 a 47) é considerado por alguns a pior fase da história mangueirense. Mas alguns jejuns de títulos incomodaram os foliões da Mangueira: de 73 a 84 e de 87 a 98. Neste último período, a escola enfrentou uma fase difícil, chegando a ficar por duas vezes em 11º lugar e uma vez na 12ª colocação.

Mas se algumas fases não foram tão boas para a verde-e-rosa, a escola pode se orgulhar de sua irregularidade: é a única escola de samba do carnaval carioca que ganhou títulos em todas as décadas. Sendo uma das escolas mais tradicionais do Rio, a Mangueira conseguiu unir todo esse respeito e reverência ao passado com a modernidade necessária para se manter entre as grandes.

mangueiraUma pequena mostra de sua tradição é o fato de não ter 'aderido', até hoje, aos surdos de segunda e terceira: a Mangueira é a única escola de samba que conta apenas com o surdo de primeira, sem resposta.

Em 1998, a Mangueira dividiu o título com a Beija-Flor. A escola adotou a vitoriosa fórmula de homenagear uma personalidade em seu enredo, o que já havia dado certo com Monteiro Lobato, Braguinha, Carlos Drummond de Andrade e Caymmi (é verdade que isso não pode ser considerado uma regra, já que outras homenagens não deram certo como Chiquinha Gonzaga, a trinca de reis e os doces bárbaros). Naquele ano, o escolhido para ser tema do carnaval foi Chico Buarque.

Foi campeã novamente no carnaval 2002, ao homenagear o Nordeste, um dos melhores desfiles deste século. Em 2003, Max Lopes resolveu homenagear a paz com o enredo Os dez mandamentos! O samba da paz canta a saga da liberdade. A Mangueira apresentou alegorias grandiosas e com muito luxo, porém não conseguiu ser superior a Beija-flor, ficando com a segunda colocação.

mangueiraNo ano de 2005, a escola se mostrou um tanto quanto descaracterizada, com um enredo sobre energia. Ao utilizar um estilo futurista e abandonar o tradicional verde-e-rosa, a escola acabou não sendo muito bem aceita por seus admiradores. Mesmo assim, conseguiu o sexto lugar.

Em 2007, a escola se apresentou volumosa e requintada com o enredo sobre a língua portuguesa, trazendo belas alegorias, como a do Coliseu, e conseguindo alcançar o terceiro lugar.

Para 2008, a Verde e Rosa vai novamente para o Nordeste, desta vez para falar de um aspecto importante na cultura da região e do país, o frevo, com o patrocínio vindo de Pernambuco.

 

DESFILES E ENREDOS

 

Ano

Enredo

Carnavalesco

Colocação

Grupo

1931

Jardim da Mangueira

 

hours-concurs

 

1932

A floresta

 

 

1933

Uma segunda-feira no Bonfim da Bahia

 

 

1934

Sem desfile oficial

 

 

1935

A Pátria

 

 

1936

Só concorreu o samba

 

 

1937

Cinco continentes

 

 

1938

Não Houve desfile

 

 

 

1939

No Jardim

 

 

1940

Prantos, pretos e poetas

 

 

1941

Pedro Ernesto

 

 

1942

A vitória do samba nas Américas

 

 

1943

Samba no Palácio Itamarati

 

 

1944

?

 

 

1945

Nossa história

 

 

1946

Carnaval da Vitória

 

 

1947

Brasil, ciências e artes

 

 

1948

Vale de São Francisco

 

 

1949

Apoteose ao Mestre

 

 

1950

Saúde, lavoura, transporte e educação

 

 

1951

Unidade Nacional

 

 

1952

Carnaval Anulado

Carnaval Anulado 

 

1

1953

Caxias

 

1

1954

Rio de Janeiro

 

1

1955

Quatro estações do ano

 

1

1956

Exaltação a Getúlio Vargas - emancipação nacional Brasil

 

1

1957

Rumo ao progresso

 

1

1958

Canção do exílio

 

1

1959

Brasil através dos tempos

 

1

1960

Carnaval de todos os tempos

 

1

1961

Reminiscências do Rio Antigo

 

1

1962

Casa-grande e senzala

 

1

1963

Exaltação à Bahia

 

1

1964

História de um preto velho

 

1

1965

Rio através dos séculos

 

1

1966

Exaltação a Villa-Lobos

 

1

1967

O mundo encantado de Monteiro Lobato

 

1

1968

Samba, festa de um povo

 

1

1969

Mercadores e suas tradições

 

1

1970

Cântico à natureza

 

1

1971

Modernos bandeirantes

 

1

1972

Carnaval dos carnavais

 

1

1973

Lendas do Abaeté

 

1

1974

Mangueira em tempo de folclore

 

1

1975

Imagens poéticas de Jorge Lima

 

1

1976

No reino da Mãe do Ouro

 

1

1977

Parapanã, o segredo do amor

 

1

1978

Dos carroceiros do imperador ao Palácio do Samba

Júlio Matos

1

1979

Avatar e a selva transformou-se em ouro

Júlio Matos

1

1980

Coisas nossas

Liana Silveira & Érica Cirne

1

1981

de Nonô a JK

Alcione Barreto

1

1982

As mil e uma noites cariocas

Fernando Pinto

1

1983

Verde que te quero rosa

Max Lopes

1

1984

Yes, nós temos Braguinha

Max Lopes

1

1985

Abram alas que eu quero passar - Chiquinha Gonzaga

Júlio Matos

1

1986

Caymmi mostra ao mundo o que a Bahia tem e a Mangueira também

Júlio Matos

1

1987

No Reino das Palavras, Carlos Drummond de Andrade

Júlio Matos

1

1988

100 anos de liberdade realidade ou ilusão

Júlio Matos

1

1989

Trinca de Reis

Júlio Matos

11°

1

1990

E deu a louca no barroco (Sinhá Olímpia)

Ernesto Nascimento & Cláudio Rodrigues

Especial

1991

As três rendeiras do universo

Ernesto Nascimento & Cláudio Rodrigues

12°

Especial

1992

Se todos fossem iguais a você -Tom Jobim

Ilvamar Magalhães

Especial

1993

Dessa fruta, eu como até o caroço...

Ilvamar Magalhães

Especial

1994

Atrás da verde e rosa só não vai quem já morreu

Ilvamar Magalhães

11°

Especial

1995

A esmeralda do Atlântico

Ilvamar Magalhães

Especial

1996

Os tambores da Mangueira na terra da encantaria

Oswaldo Jardim

Especial

1997

O Olimpo é verde e rosa

Oswaldo Jardim

Especial

1998

Chico Buarque da Mangueira

Alexandre Louzada

Especial

1999

O Século do samba

Alexandre Louzada

Especial

2000

Dom Obá, rei dos esfarrapados, príncipe do povo

Alexandre Louzada

Especial

2001

A seiva da vida

Max Lopes

Especial

2002

Brasil com Z é pra cabra da peste, Brasil com S é pra nação do Nordeste

Max Lopes

Especial

2003

Os 10 mandamentos! O samba da paz canta a liberdade...

Max Lopes

Especial

2004

Mangueira redescobre a Estrada Real... E deste Eldorado faz seu carnaval

Max Lopes 

Especial

2005

Mangueira energiza a avenida. O carnaval é pura energia e a energia é o nosso desafio

Max Lopes

 6°

Especial

2006

Das águas do Velho Chico, nasce um rio de esperança

Max Lopes

Especial

2007

Minha Pátria é minha língua, Mangueira meu grande amor. Meu samba vai ao Lácio e colhe a última flor

Max Lopes

Especial

2008

100 anos do frevo, é de perder o sapato. Recife mandou me chamar...

Max Lopes

 

Especial

 

 

ESTANDARTES DE OURO     

 

1972 - Destaque Masculino - Carlinhos Pandeiro de Ouro
1973 - Ala - Ala das Baianas
Mestre-Sala - Élcio PV
Porta-Bandeira - Neide
1974 - Destaque Masculino - Jamelão - Intérprete
Porta-Bandeira - Neide
1975 - Destaque Feminino - Neuma
Escola
Porta-Bandeira - Neide
1976 - Destaque Masculino - Waldomiro
Porta-Bandeira - Neide
1978 - Comunicação com o Público
Destaque Feminino - Nininha
Mestre-Sala - Delegado
Personalidade Feminina - Zica
1979 - Destaque Feminino - Zinha
Personalidade Masculina - Pelado
1980 - Destaque Masculino - Laerte
Porta-Bandeira - Mocinha
1981 - Passista Feminino - Pururuca
Porta-Bandeira - Mocinha
1982 - Intérprete - Jamelão
Mestre-Sala - Delegado
1983 - Ala - Ala dos Duques
1984 - Destaque Feminino - Maria Helena
Escola
Passista Masculino - Índio
Porta-Bandeira - Mocinha
1985 - Personalidade Feminina - Tia Alice
1986 - Ala das Crianças
1987 - Passista Masculino - Ademir Gargalhada
1990 - Ala das Baianas
Bateria
Escola
Intérprete - Jamelão
Passista Masculino - Serginho
                Samba-Enredo

 

1991 - Mestre-Sala - Robertinho
Passista Feminino - Janaína
1992 - Intérprete - Jamelão
Passista Masculino - Celsinho
1996 - Intérprete - Jamelão
Personalidade - Leci Brandão
1997 - Passista Feminino - Ana Paula
Personalidade - Xangô
1998 - Comissão de Frente
                Escola
Intérprete - Jamelão
1999 - Comissão de Frente
Passista Feminino - Tania Bisteka - Rainha da Bateria
Personalidade - Elmo - Presidente
2000 - Samba-Enredo
2001 - Ala das Baianas
Passista Feminino - Fabiana Oliveira
2002 - Escola
Revelação - Reinaldo
Samba-Enredo
2003 - Passista Feminina - Juliana Clara
 2004 - Comissão de Frente
Passista Masculino - Mateus Olivério da Silva Rego
Porta-Bandeira - Geovana
2005 - Personalidade - Vó Lucíola
2006 - Personalidade - Max Lopes - Carnavalesco
2007 - Comissão de Frente
FONTE: http://odia.terra.com.br/carnaval/index.asp
               http://www.academiadosamba.com.br/passarela/mangueira/index.htm
               http://www.papodesamba.com.br

 

Mandem sugestões de escolas que desejam ver no Raio X: amiltonzoo@yahoo.com.br

 

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- Portela

 

 


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