Aniversariantes do mês:

A equipe do Boletim do Samba parabeniza todos os Sambistas Aniversariantes do mês de Junho e deseja muita luz, paz e saúde. Que Deus lhes conceda muitos carnavais. Abraços!!!

ESPAÇO ABERTO
1- Rogério Rodrigues 03/06
2- Fábio-Original 13/06
3- Alex Salgueiro 04/06
4- Matheus Madeira  14/06

5- Maurício Barbosa  07/06

SETOR 1

1- Alessandro Ostelino 11/06

2- Amante do Samba 22/06

 


Por Marcelo Henrique

 

 

imperatriz
Rainha de Ramos

 

 

 

O GRES Imperatriz Leopoldinense foi fundado em 6 de março de 1959. Oito vezes campeã do Carnaval, a escola conta atualmente com o trabalho da artista Rosa Magalhães como um dos grandes trunfos de seus desfiles.

Foi Amaury Jório quem idealizou a fundação da escola de samba de Ramos. Reunido com os dissidentes do Recreio de Ramos, Oswaldo Gomes Pereira (que foi também o primeiro presidente da escola), Elísio Pereira de Mello, Agenor Gomes Pereira, Vicente Venâncio da Conceição, José da Silva (Zé Gato), Jorge Costa (Tinduca), Francisco José Fernandes (Canivete), Manoel Vieira (Sagüi) e Aloísio Soares Braga (Índio), Amaury viu seu sonho tornar-se realidade no dia 6 de março de 1959, quando surgiu o G.R.E.S Imperatriz Leopoldinense.

A agremiação recebeu esse nome em homenagem a todos os subúrbios servidos pelos trens da linha da Leopoldina. Seus fundadores colocaram na bandeira da escola 13 estrelas, simbolizando cada uma dessas localidades. Uma delas se destaca por representar o berço da agremiação: o bairro de Ramos. Inclusive a coroa, símbolo da escola, é uma referência à coroa do Primeiro Reinado, ou seja, reinado no qual a Imperatriz Leopoldina governou o Brasil.
Em 1959, a escola conseguiu o Alvará de Localização, sendo a pioneira neste fato, ficando a sede por cinco anos, na casa do próprio Amaury Jório.

Década de 1960

A Imperatiz Leopoldinense começou a desfilar no Grupo 3, em 1960, classificando-se em sexto lugar com o enredo "Homenagem à Academia de Letras". Em 1961, passou para o Grupo 2, após a vitória com o enredo "Riquezas e Maravilhas do Brasil". No ano seguinte, conseguiu o quinto lugar com o enredo "Rio no século XVIII”, homenagem a Carlos Gomes de Andrade, “O Conde de Borbadela".

Em 1963, ainda desfilando pelo Grupo 2, classificou-se em terceiro lugar com o enredo "Três Capitais". No ano posterior foi vice-campeã do Grupo 2 com o enredo "A Favorita do Imperador: Marquesa de Santos", subindo para o primeiro grupo.
Em 1965, tirou o 10º lugar no primeiro grupo com o enredo "Homenagem ao Brasil no IV Centenário do Rio de Janeiro", descendo para o segundo grupo, por não ter feito um bom desfile, tendo em vista a verba que empregou na nova sede, situada à rua Professor Lacê, 235, em Ramos. Em 1966, obteve o 2º lugar no Grupo 2 com o enredo "Monarquia: Esplendor da História".

Em 1967, ao ser criado o Departamento Cultural da escola, Amaury Jório convidou Hiram Araújo, Oswaldo Macedo, Ilmar de Carvalho e Fernando Gabeira para desenvolver o enredo "Vida Poética de Olavo Bilac", que obteve o nono lugar no Grupo 1.
Em 1968, tirou o segundo lugar no Grupo 2 com o enredo "Bahia em Festa", com samba-enredo de Bide e Carlinhos Sideral. No ano seguinte, obteve o oitavo lugar no Grupo 1 com o enredo "Brasil, Flor Amorosa de Três Raças", com samba-enredo de Carlinhos Sideral e Matias de Freitas, considerado por Pixinguinha um dos melhores sambas-enredos de todos os tempos.

Década de 1970

Em 1970, classificou-se em sexto lugar no Grupo 1 com o enredo "Oropa, França e Bahia", uma homenagem à Semana de Arte de Moderna de 1922, com samba-enredo de Carlinhos Sideral e Matias de Freitas. No ano seguinte tirou o sétimo lugar do Grupo 1 com o enredo "Barra de Ouro, Barra de Rio, Barra de Saia". Nos anos posteriores, ficaria alternando as suas posições entre o primeiro e o segundo grupo com as seguintes colocações: 1972, quarto lugar no Grupo 1, com o enredo "Martim Cererê", homenagem ao poeta Cassiano Ricardo; 1973, quinto lugar do Grupo 1 com o enredo "ABC do Carnaval à Maneira da Literatura de Cordel"; 1974, sexto lugar do Grupo 1 com o enredo "Réquiem por um Sambista, Silas de Oliveira"; 1975, oitavo lugar do Grupo 1 com o enredo "A Morte da Porta-Estandarte"; 1976, oitavo lugar no Grupo 1 com o enredo "Por Mares Nunca Dantes Navegados"; 1977; nono lugar do mesmo grupo com o enredo "Viagens Fantásticas às Terras de Ibirapitanga"; 1978, segundo lugar do Grupo 2 com o enredo "Vamos Brincar de ser Criança", os dois últimos desenvolvidos por Max Lopes. Só em 1979, recuperou-se definitivamente, firmando-se no Grupo 1A, obtendo o sétimo lugar com o enredo "Oxumaré, A Lenda do Arco-Íris".

Década de 1980

O carnavalesco Arlindo Rodrigues desenvolveu quatro enredos na escola de Ramos, deixando nesses desfiles sua marca inconfundível no carnaval carioca: 1980, primeiro lugar com o enredo "O Quê que a Bahia Tem?"; 1981, primeiro lugar com o enredo "O Teu Cabelo Não Nega"; 1982, terceiro lugar com o enredo "Onde Canta o Sabiá" e em 1983, quarto lugar com o enredo "O Rei da Costa do Marfim Visita Chica da Silva em Diamantina".

Década de 1990 e 2000

Outros importantes carnavalescos que atuaram na escola foram Viriato Ferreira, Max Lopes, Licia Lacerda e Luiz Fernando Reis. Rosa Magalhães é atual carnavalesca da Imperatriz, tendo realizado, em 2007, seu 17° carnaval na escola.

A Imperatriz Leopoldinense é considerada uma escola que realiza desfiles ao mesmo tempo originais e luxuosos, graças a criatividade e à qualidade dos carnavalescos que atuaram, e atuam, na agremiação.

Títulos

1980: O que é que a Bahia tem

Primeiro campeonato da escola, num surpreendente empate com Portela e Beija-Flor. O deslumbrante carnaval criado por Arlindo Rodrigues deixaria uma marca indelével para a, então, pequena escola de Ramos. As imensas alegorias representando baianas girando com cestos na cabeça, marcaram época. Como curiosidade, a presença de Gal Costa no abre-alas da escola.

1981: O teu cabelo não nega

Considerado como o carnaval do "desempate", devido ao resultado do ano anterior, o desfile de 1981 teve na Imperatriz a campeã incontestável. Ajudado pelo samba contagiante (Só dá Lalá), puxado por Dominguinhos do Estácio, a escola apresentou um dos mais belos e animados desfiles de todos os tempos, saindo da passarela consagrada pelo público e crítica. O trenzinho que apitava, soltava fumaça e bolas de gás, imaginado por Arlindo Rodrigues, é lembrado até hoje como uma das mais impactantes alegorias da história do carnaval.

1989: Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós

O carnaval suntuoso, marcial e original criado por Max Lopes para a escola, que vinha do último lugar no ano anterior, abriu caminho para um dos desfiles mais impactantes da década. O fabuloso samba-enredo – presente em todas as listas de melhores sambas da história do carnaval – foi outro elemento importante na vitória consagradora conquistada pela agremiação. O imenso carro alegórico cheio de soldados a cavalo e as alas da imigração italiana, carregando pizzas e garrafões de vinho, levantaram o povo do Sambódromo.

1994: Catarina de Médicis na corte dos Tupínambôs e Tabajeres

A chegada à escola de Rosa Magalhães – trazida por Viriato Ferreira – geraria seu primeiro fruto no campeonato de 1994. A ousadia do enredo, que descrevia uma festa realizada em Ruão no século XVI com motivos inspirados nos indígenas brasileiros, permitiu um desfile surpreendente, ao mesmo tempo luxuoso e empolgante. Esse seria o primeiro dos campeonatos conquistados pela carnavalesca. O samba acompanhou a ousadia visual reunindo termos em português e francês. Com este enredo, a Imperatriz iniciou uma série de conquistas na Sapucaí, o que lhe rendeu o título de "escola tecnicamente perfeita" ou "escola de resultados". A sensação do desfile da Imperatriz foi a comissão de frente, representando dançarinos da corte francesa, que fazia movimentos com leques amarelos e verdes. O desfile mostrou o luxo da Renascença e a fauna brasileira (onça, borboletas, garças, papagaios, tucanos etc). Montaigne, o primeiro homem de letras de peso a registrar os índios brasileiros, na festa em Ruão, organizada pelos mercadores locais em homenagem ao rei Henrique II, foi retratado no último carro da escola.

1995: Mais vale um jegue que me caregue que um camelo que me derrube, lá no Ceará

Segundo bi-campeonato conquistado pela escola, o desfile de 1995 é considerado por muitos como o trabalho mais bem elaborado de Rosa Magalhães. Os detalhes das alegorias e a originalidade e leveza das fantasias criaram um conjunto visual dos mais impressionantes jamais apresentados. O patrocínio do Governo do Ceará foi realizado de forma sutil, sem imposições ou agressões ao enredo. Esse tipo de abordagem se tornaria uma característica da carnavalesca e da escola. Trazendo à lembrança a fala de uma personagem da obra A farsa de Inês Pereira de Gil Vicente, teatrólogo português do século XV— "Mais vale um asno que me carregue, que um cavalo que me derrube" — a Imperatriz Leopoldinense apresentou o fracasso da expedição científica ao sertão do Ceará, organizada por D. Pedro II, que contou com 14 camelos vindos da Argélia, que não resistiram e foram substituídos por jegues nordestinos. O carro A Chegada do Camelo quebrou, fazendo com que o destaque, Jorge Lafond, desfilasse no chão. Pela perfeição em que fora contada e pela clareza de alegorias e fantasias, o carro nem fez falta a escola. Destaque para os adereços da comissão de frente de Fabio Melo, sombrinhas de frevo em dourado e verde. Dispensada da Portela, Luiza Brunet assumiu o posto de Rainha de Bateria da Imperatriz. Encerrando o desfile, o carro Viva o Jegue soltou balões pela avenida e contou com a presença dos cearenses Renato Aragão, Fagner e Tom Cavalcante.

1999: Brasil mostra a sua cara em... Theatrum Rerum Naturalium Brasilie

A Imperatriz volta a vencer. Neste ano, ela não foi perfeita como nos anos anteriores. A escola mostrou na avenida o enredo "Brasil mostra a sua cara em “Theatrum Rerum Naturalium Brasilae", sobre a obra do pintor holandês Eckout que retratara o País durante o século XVII. Mauricio de Nassau era um amante das artes e trouxe com ele da Europa, um grupo de pintores, cartográficos e médicos. Ele pediu para eles retratarem os animais e os vegetais. A coleção de livro com quatro volumes, que registra em pinturas e gravuras, índios, animais, pássaros e plantas existentes no Brasil, ficou perdida até que em 1972 um pesquisador Inglês conseguiu encontrar os volumes em uma pequena biblioteca na cidade da Polônia. A comissão de frente, fantasiada de nobres holandeses, formavam o mapa do Brasil e faziam uma explosão com as fitas. Luíza Brunet, grávida, brilhou mais uma vez à frente da bateria da Imperatriz. A ala das baianas proporcionou uma das imagens marcantes. Eram 150 baianas aladas, com asas coloridas de borboleta, das espécies retratadas por pintores holandeses que nos visitaram no século 17.

2000: Quem descobriu o Brasil, foi seu Cabral, no dia 22 de abril, dois meses depois do carnaval

A Imperatriz Leopoldinense é novamente bicampeã do carnaval. Desde a comissão de frente, que formava a caravela de Cabral até os carros luxuosos e criativos, a Imperatriz contou na avenida a história da viagem que levou Pedro Álvares Cabral a descobrir o Brasil. Já conhecida por sua perfeição na Sapucaí, a escola manteve a tradição e fez um desfile sem erros. A carnavalesca Rosa Magalhães abusou de cores fortes, como preto e vermelho, principalmente nos primeiros carros que fizeram referências ao comércio de Portugal com a Ásia e a África.

2001: Cana-caiana, cana roxa, cana fita, cana preta, amarela, pernambuco... Quero vê descê o suco, na pancada do ganzá

A Imperatriz é a primeira tricampeã da era sambódromo e do novo século. O fábulo desfile que Rosa Magalhães preparou para a escola levaria a Imperatriz a um inédito tri-campeonato no Sambódromo. A qualidade das alegorias e a originalidade e malícia do enredo sobre a cana (que terminaria numa homenagem inesquecível ao compositor mangueirense Carlos Cachaça), associados ao samba de forte apelo popular que empolgou a escola, foram a receita para o sucesso. A fantasia da bateria, representando um grande canavial, impressionou pela beleza.

 

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