

Por Amilton

Desta vez vamos conhecer um pouco sobre uma escola que tem uma história bastante curiosa. Agremiação esta que se tornou conhecida pelos seus desfiles alegres/irreverentes e por subir e descer constantemente do grupo Especial nos últimos anos. Apresento a GRES. São Clemente, de Ivo Rocha Gomes.
A Zona Sul do Rio de Janeiro produz, há 39 anos, num bairro musical e boêmio, o mais puro suco do samba carioca. É a escola representativa da pureza do povo da Zona Sul, desde os meados de 1961, que se mistura no asfalto para batucar, sambar e cantar.
A Escola que mistura boêmios, adultos, velhos e crianças, abraçando toda a Zona Sul, para saudar com alegria a ópera do povo no canto e no remelexo dos mais vibrantes e sedutores, com toda a sua irreverência.
Em meados de 1953, um grupo de jovens do bairro de Botafogo, admiradores da arte do futebol, participaram de uma equipe nas cores azul e branca, que se chamava São Clemente Futebol Clube, em homenagem à rua em que se reuniam.
Frequentemente faziam excursões para jogar em outras cidades. Numa dessas viagens, com destino à Bananal no Estado do Rio, o grupo se reuniu em frente à vila Gauí existente até hoje na Rua São Clemente 176, e enquanto aguardavam o início da viagem, Ivo da Rocha Gomes, responsável pela equipe, avistou na porta de uma quitanda, duas barricas vazias de uvas, que de imediato transformou em instrumento de percussão para uma animada batucada.
A empolgação foi tanta, que Ivo da Rocha Gomes resolveu criar a partir daquele momento um "bloco de sujos” que passou a desfilar no carnaval pelo bairro de Botafogo com as cores azul e branca, cores da equipe de Futebol.
Em 1961 Ivo da Rocha funda então, juntamente com João Marinho e Ailton Teixeira, a escola de samba. Todos moravam na Vila Ganhy, no bairro de Botafogo. As cores passariam a ser preto e amarelo. A opção pelas cores preto e amarelo ocorreu quando Ivo da Rocha Gomes assistiu um jogo de futebol entre as equipes do seu querido Fluminense e o time uruguaio do Penharol, gostou muito da combinação de cores da camisa do time adversário, resolvendo, então, após consulta a seus companheiros, substituir o azul e branco do então bloco carnavalesco pelas atuais cores do G.R.E.S. São Clemente.
Desde 1984, a São Clemente optou por uma linha de enredo que, comprovadamente, a define como uma escola de samba preocupada com a problemática do povo brasileiro. Naquele ano, no 2° Grupo, apresentou "Não corra, não mate, não morra - O diabo está solto no asfalto", enredo que mostrava a violência do trânsito nas grandes cidades. Dando continuidade à proposta, em 1985, no 1° Grupo, desfilou com o enredo "Quem casa, quer casa"; em 1986, apresentou "Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são"; em 1987, desfilou com "Capitães do asfalto", abordando o tema da infância abandonada; em 1988, "Quem avisa amigo é", um grito de alerta contra a violência e, em 1989, "Made in Brazil!!! Yes, nós temos banana", um hino de amor e fé no Brasil, e finalmente "E o samba sambou", de 1990 (uma crítica aos próprios desfiles atuais das Escolas).
Carlos D’Andrade, juntamente com Roberto Costa, são os autores dos enredos citados, exceção do de 1989, quando Roberto Costa se afastou para coordenar os jurados da LIESA, retornando, novamente, à escola em 1990.
O Primeiro samba enredo foi de autoria de Nelson Escurinho com a seguinte letra:
VAMOS CANTAR A MELODIA
TRAZIDA DO MEU CORAÇÃO
VAMOS ESQUECER A TRISTEZA CRUEL DA DESILUSÃO
DA MELODIA FIZ UM POEMA
QUE CANTO NAS NOITES DE SOLIDÃO
EU ERA TÃO FELIZ
VIVIA NA MAIOR DESILUSÃO
HOJE NÃO ME RESTA MAIS NADA
SÓ EXISTE NO MEU CORAÇÃO
E NESTE SAMBA QUE É UM POEMA
QUE CANTO NAS NOITES DE SOLIDÃO
O primeiro samba enredo com as cores preto e amarelo foi da autoria de
Claudionor Vaz (Guiga) com a seguinte letra:
MEU ROXINOL VIVIA A CANTAR |
Algumas das pessoas que colaboraram na Fundação da Escola foram Paulo Negão, Marina Gomes, Dona Zélia, Ivo da Rocha Gomes, Jorge Andrade, Marina da Conceição Gomes, Daniel Teixeira, Hugo da Rocha Gomes, Daniel (Tio Miro), Waldomiro (Miro da Neném), Ivam da Silva Vaz (Guiga), Elpidio dos Santos, João Marinho, Sebastião Costa, Conceição Farias, Adalberto de Almeida, Rodolfo Pinto de Oliveira, Paulo Ney Xavier (Paulo Negão), Carlos Correa Lopes (Carlinhos Pato Roco), Aílton da Conceição (Aíton Fala Grosso), Nelson do Piston, China da Caixa de Guerra, Henrique Torquatro (Dunga), Benildo Mendes Vieira de Carvalho, Zélia Baptista, Carmindo Moacir (Moacir do Chucalho), Romualdo (Mundinho) e Jorge Andrade.
DESFILES E ENREDOS
Ano |
Enredo |
Carnavalesco |
Colocação |
Grupo |
1962 |
Riquezas do Brasil |
Gabriel do Nascimento & Dario |
4° |
3 |
1963 |
Rio de Antanho |
Augusto Henrique |
3° |
3 |
1964 |
Rio dos Vice-Reis |
Ivo Rocha Gomes |
1°(á) |
3 |
1965 |
Relíquias e Memórias do Rio |
Ivo Rocha Gomes |
3° |
2 |
1966 |
Apoteose ao Folclore Brasileiro |
Ivo Rocha Gomes |
1°(á) |
2 |
1967 |
Festas e tradições populares do Brasil |
Renato Miguez & Dedé |
10°(â) |
1 |
1968 |
Apoteose à cultura nacional |
Ivo Rocha Gomes |
7° |
2 |
1969 |
Assim dança o Brasil |
Ivo Rocha Gomes |
14° |
2 |
1970 |
Histórias fantásticas |
Ivo Rocha Gomes |
9° |
2 |
1971 |
O beijo de três saudades |
Ivo Rocha Gomes |
5° |
2 |
1972 |
Danças de um povo livre |
Ivo Rocha Gomes |
5° |
2 |
1973 |
Momentos inesquecíveis de Tapoagipe |
Ivo Rocha Gomes |
7° |
2 |
1974 |
Sonhos fascinantes de um jovem adolescente |
Ivo Rocha Gomes |
11° |
2 |
1975 |
Quem quebrou meu violão - Taí, Taí Tra-lá-lá |
Ivo Rocha Gomes & Carlos Gil |
5° |
2 |
1976 |
Recife, nosso amor distante |
Ivo Rocha Gomes |
10° |
2 |
1977 |
Acredite se quiser |
Ivo Rocha Gomes |
10° |
2 |
1978 |
Apoteose ao teatro de revista |
Ivo Rocha Gomes |
9°(â) |
2 |
1979 |
Louvação às três rainhas |
Ivo Rocha Gomes & Ricardo Ayres |
5°(á) |
2 A |
1980 |
A doce ilusão do sambista |
Ivo Rocha Gomes |
11°(â) |
1B |
1981 |
Assim dança o Brasil |
Ivo Rocha Gomes |
3° |
2A |
1982 |
As intocáveis tempestades de Dam |
Carlinhos Andrade |
3° |
2A |
1983 |
Criação da noite |
Carlinhos Andrade |
2°(á) |
2A |
1984 |
Não corra, não mate, não morra - O diabo está solto no asfalto |
Carlinhos Andrade & Roberto Costa |
4°(á) |
1B |
1985 |
Quem casa, quer casa |
Carlinhos Andrade & Roberto Costa |
15°(â) |
1A |
1986 |
Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são |
Carlinhos Andrade & Roberto Costa |
2°(á) |
1A |
1987 |
Capitães do asfalto |
Carlinhos Andrade & Roberto Costa |
7° |
1 |
1988 |
Quem avisa amigo é |
Carlinhos Andrade & Roberto Costa |
10° |
1 |
1989 |
Made in Brazil!!! Yes, nós temos banana |
Carlinhos Andrade |
13° |
1 |
1990 |
E o samba sambou |
Carlinhos Andrade & Roberto Costa |
6° |
Especial |
Já vi este filme |
Carlinhos Andrade, Roberto Costa & Cesar D’Azevedo |
13°(â) |
Especial |
|
E o salário, ó! |
Luis Fernando Reis & José Félix |
7° |
1 |
|
1993 |
O Pão nosso de cada dia |
José Félix & Roberto Costa |
7° |
1 |
1994 |
Uma andorinha só não faz verão ou aonde vai a corda vai a caçamba |
Roberto Costa |
2°(á) |
1 |
O que é, o que é... que não é, mas será? |
Luis Fernando Reis |
17°(â) |
Especial |
|
1996 |
Se a canoa não virar, a São Clemente chega lá |
Roberto Costa (in memorian) & Jaime Cezário |
3° |
1 |
1997 |
A São Clemente Botafogo na Sapucaí |
Jaime Cezário |
3° |
A |
1998 |
Maiores são os poderes do povo! Se liga na São Clemente! |
Jaime Cezário |
2° (á) |
A |
A São Clemente comemora e traz Rui Barbosa para os braços do povo |
Jaime Cezário |
14°(â) |
Especial |
|
No ano 2000 a São Clemente é Tupi, com Sergipe na Sapucaí |
João Luis de Moura & Sônia Regina |
4° |
A |
|
A São Clemente mostrou e nada mudou neste Brasil gigante |
Sônia Regina |
2°(á) |
A |
|
Guapimirim - Paraíso ecológico abençoado pelo Dedo de Deus |
Sônia Regina, Lane Santana, Alberto Rashyd e Nonato Trinta |
14°(â) |
Especial |
|
Mangaratiba, uma História de Lutas para todos que Amam a Terra e a Liberdade |
Lane Santana |
1°(á) |
A |
|
Boi Voador sobre o Recife: Cordel da Galhofa Nacional |
Milton Cunha |
14°(â) |
Especial |
|
Velho é a vovozinha: a São Clemente enrugadinha e gostosinha |
Milton Cunha |
3° |
A |
|
De Gonzagão a Gonzaguinha: em vida de viajante |
Renato Lyra e Fabio Santos |
2º |
A |
|
Barrados no baile |
Renato, Roberto e Ricardo Gomes |
1°(á) |
A |
|
O clemente João VI no Rio: a redescoberta do Brasil... |
Fabio Santos, Mauro Quintaes e Milton Cunha |
? |
Especial |
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