

Por Amilton
Escola por muito tempo admirada por seus enredos críticos e não admirada muito por gestores do país e do carnaval pelo mesmo motivo. De quem eu poderia estar falando a não ser a Caprichosos de Pilares. Uma escola não tão antiga quanto outras, mas que nos trouxe muitos valores e conteúdo para o carnaval carioca e brasileiro.
Formado por uma população humilde e trabalhadora, Pilares, bairro do subúrbio do Rio, vizinho a Del Castilho, Thomaz Coelho, Inhaúma, Engenho de Dentro e Cachambi, tem como moldura os morros do Urubu, Engenho da Rainha e as favelas Fernão Cardin e Rato Molhado.
Tudo começou quando um grupo de sambistas de Pilares, que insatisfeitos com o desfile desleixado apresentado pela Unidos de Terra Nova, hoje extinta, decidiram fundar uma Escola de Samba. Liderados pelos amigos Oscar Lino (Seu Oscar), Dagoberto Bernardo (Beto Limoeiro) e Valter Machado (Valtinho Fala Fino), em 19 de fevereiro de 1949 fundaram o Grêmio Recreativo Escola de Samba Caprichosos de Pilares.
A Caprichosos fez grandes carnavais. Marcados por seus sambas empolgantes e irreverentes, que sempre estiveram na ponta da língua do povão. Por isso, seus maiores títulos foram dados pelo grande público.
Por volta de 1974 o Sr. Amaury Jório, Presidente da Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, pediu ao Administrador Regional, que na época era o Dr. Oswaldo de Moura Brito Piragibe (Dr. Piragibe), que concedesse um espaço para a construção da quadra da Caprichosos. O Administrador se envolveu de tal forma com o projeto, que não só colaborou com a obra da quadra, mas também entrou para a história da Escola. O local da construção era um espaço de urbanização do viaduto Cristovão Colombo (viaduto de Pilares). Graças ao Dr. Piragibe o terreno foi cedido pela prefeitura.
O primeiro título da Caprichosos aconteceu onze anos após sua fundação em 1960, com o enredo Invasão holandesa na Bahia. Já em 1971, o tema Brasil na Primavera, levou a Escola ao segundo grupo. A Caprichosos de Pilares voltou a ser campeã do grupo 2, com o enredo Moça bonita não paga....
Em 1982, o carnavalesco Luiz Fernando Reis faz um inesquecível carnaval no grupo 1-B e leva a escola para o grupo principal, onde vai desenvolver enredos plenos de críticas políticas (desde então), conquistando o status de grande escola de samba. Durante o desfile da escola no ano seguinte, já no grupo principal, ocorreu uma queda de luz, o que causou o não-julgamento da escola. Em 1984, a Caprichosos apresentou o enredo "A visita da corte da nobreza do riso a Chico Rei, num palco nem sempre iluminado", da autoria de Luiz Fernando Reis, e conquistou o terceiro lugar de domingo, participando assim do supercampeonato da inauguração da Passarela do Samba.
Em 1985 com uma proposta inovadora, a Escola de Pilares consolidou seu estilo de carnaval irreverente, com uma mistura de política e humor no enredo E por falar em saudade.
A Marquês de Sapucaí delirou ao som do inesquecível refrão: "Tem bumbum de fora pra chuchu/qualquer dia é todo mundo nu", durante o desfile. Apesar de ter conquistado o povão e de ter feito um lindo Carnaval, também de Luiz Fernando Reis, a escola ficou apenas numa injusta quinta posição. O Samba de 85 lhe rendeu também o estandarte de Ouro.
Em 2008 a escola tenta voltar ao grupo especial de onde saiu em 2006, com o enredo patrocinado "DE SANTO ANTÔNIO DE SÁ AO PÓLO PETROQUÍMICO, ITABORAÍ...
UMA TERRA ABENÇOADA!" , que destacará a cidade de Itaboraí.
DESFILES E ENREDOS |
|
Ano |
Enredo |
Carnavalesco |
Colocação |
Grupo |
1950 |
Grito do Ypiranga |
|
? |
2 |
1951 |
Alavanca e Progresso |
|
? |
2 |
1952 |
Homenagem a Santos Dumont |
|
? |
2 |
1953 |
Beijamin Constant |
|
7° |
2 |
1954 |
Asas do Brasil |
|
2°(á) |
2 |
1955 |
Maria Quitéria |
|
10° |
1 |
1956 |
Exaltação à Justiça brasileira |
|
14° |
1 |
1957 |
Glória ao General Osório |
|
8° |
1 |
1958 |
Glória à música brasileira |
|
15° |
1 |
1959 |
Laços de fita |
|
10°(â) |
1 |
1960 |
Invasão holandesa na Bahia |
|
1°(á) |
2 |
1961 |
Império de D. Pedro II |
|
9°(â) |
1 |
1962 |
Galeria dos Bravos |
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4° |
2 |
1963 |
A lenda da pedra verde |
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9° |
2 |
1964 |
IV Centenário do Rio de Janeiro |
|
10° |
2 |
1965 |
O último baile da corte imperial |
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11° |
2 |
1966 |
A transmigração da família real |
|
12° |
2 |
1967 |
O Brasil através de suas músicas |
|
11° |
2 |
1968 |
Negrinho do Pastoreio |
|
13°(â) |
2 |
1969 |
A Revolução do Alfaiates da Bahia |
|
8° |
3 |
1970 |
Aclamação da Princesa Isabel |
|
11° |
3 |
1971 |
Brasil na primavera |
|
1°(á) |
3 |
1972 |
Brasil - a flor que desabrocha |
|
11° |
2 |
1973 |
Aclamação e coroação de D. Pedro I |
|
13°(â) |
2 |
1974 |
Adeus praça XI, adeus |
|
4°(á) |
3 |
1975 |
Congada do Rei David |
|
10° |
2 |
1976 |
Devaneios de um Pierrot |
|
13°(â) |
2 |
1977 |
Maria Quitéria, heroína de uma raça |
|
3°(á) |
3 |
1978 |
Festa da uva no Rio Grande do Sul |
|
6° |
2 |
1979 |
Uruçumirim, Paraíso tupinambá |
|
6° |
1B |
1980 |
É a maior (Emilinha Borba) |
|
5° |
1B |
1981 |
Amor, sublime amor |
Roberto D'Rodrigues |
12° |
1B |
1982 |
Moça bonita não paga |
Luis Fernando Reis |
1°(á) |
1B |
1983 |
Um cardápio à brasileira |
Luis Fernando Reis |
Hours-concurs |
1A |
1984 |
A visita da nobreza do riso à Chico Rei num palco nem sempre iluminado |
Luis Fernando Reis |
3° |
1A |
E por falar em saudade |
Luis Fernando Reis |
5° |
1A |
|
Brazil não seremos jamais (ou seremos?) |
Luis Fernando Reis |
9° |
1 |
|
1987 |
Eu prometo |
Luis Fernando Reis |
8° |
1 |
1988 |
Luz, Câmera, Ação |
Renato Lage & Lílian Rabelo |
8° |
1 |
1989 |
O que é bom todo mundo gosta |
Renato Lage & Lílian Rabelo |
12° |
1 |
Com a boca no mundo |
Alexandre Louzada |
13° |
Especial |
|
Terceiro milênio em busca do juízo (a)final |
Alexandre Louzada |
10° |
Especial |
|
Brasil feito a mão... Do barro ao carnaval |
Alexandre Louzada & Washington Luiz |
11° |
Especial |
|
Não existe pecado no lado de cá do túnel Rebouças |
Luis Fernando Reis |
13° |
Especial |
|
Estou amando loucamente uma coroa de quase 90 anos |
Luis Fernando Reis |
10° |
Especial |
|
Da terra brotei, negro sou ouro virei |
Mauro Quintaes |
10° |
Especial |
|
1996 |
Samba, sabor chocolate |
Alexandre Louzada |
15°(â) |
Especial |
1997 |
Do tambor ao computador |
Amarildo de Mello |
2°(á) |
A |
Negra origem, negro Pelé, negra Bené |
Jerônimo Guimarães |
10° |
Especial |
|
No universo da Beleza, mestre Pitangui |
Etevaldo Brandão |
9° |
Especial |
|
Brasil, teu espírito é santo |
Etevaldo Brandão |
11° |
Especial |
|
Goiás, um sonho de amor no coração do Brasil |
Jaime Cesário |
12° |
Especial |
|
Deu pra ti alto astral! Tô com Porto Alegre, trilegal! |
Jaime Cesário |
12° |
Especial |
|
Zumbi, Rei de Palmares e herói do Brasil. A história que não foi contada |
Jaime Cesário |
10° |
Especial |
|
Xuxa e seu reino encantado no carnaval da imaginação |
Cahê Rodrigues |
13° |
Especial |
|
Carnaval, doce ilusão. A gente se vê aqui, no meio da multidão: 20 anos de Liga |
Chico Spinoza |
11° |
Especial |
|
Na folia com o Espírito Santo: O Espírito Santo caprichou |
Chico Spinosa |
13°(â) |
Especial |
|
Com todo o gás a Caprichosos acende a chama do Carnaval |
Marcos Januário |
2° |
|
Fote: AESCRJ apoteose.com, grescaprichososdepilares.com.br e academiadosamba.com.br
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