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Por Rafael Rezende

 

dominguinhos do estacio

Pé-quente e gogó de ouro

Dominguinhos do Estácio pode agradecer bastante à Virgem de Nazaré. Primeiro pelo gogó iluminado que o fez tão famoso, segundo pela sorte habitual de ser campeão nas escolas em que chegava.

dominguinhos do estacioDominguinhos nasceu de uma mistura tipicamente brasileira. Filho de um português com uma negra cresceu no Morro de São Carlos, em uma época em que se ouvia mais samba do que tiroteio.
       
“Praticamente nasci no samba. Nascido em morro, na época em que não havia drogas e tiroteios, nos encontros com os amigos em final de semana fazíamos rodas de samba. Cantar e fazer samba ficaram no sangue, faz parte do meu sangue. Convivi com Luiz Melodia e Gonzaguinha, influências boas do samba, que me passaram muita coisa”.

Na década de setenta, deu início à sua carreira dentro do carnaval. Foi ritimista do bloco Baço da Onça e integrou a ala dos compositores da Escola de Samba Unidos de São Carlos, hoje Estácio de Sá, pisando na Avenida pela primeira vez em 1971.

No ano de 1974, foi campeão em São Paulo pela Vai-Vai. Em 1975, foi puxador auxiliar de Celso Landrini no samba-enredo “A Festa do Círio de Nazaré” da agremiação de São Carlos, chegando a microfone principal em 1976. Compôs sambas marcantes na Estácio, como Arte Negra na Legendária Bahia, 1976, com Caruso e Caramba; Quem é Você? (Vem de Lá), 1984, com Darcy do Nascimento e Jangada; e O Ti Ti Ti do Sapoti, 1987, com Darcy do Nascimento e Djalma Branco, todos  reeditados em 2005, 2006 e 2007, respectivamente.

dominguinhos do estacioTem duas passagens pela Imperatriz, nos períodos 1980-1982 e 1989 -1990. Foi bicampeão com os enredos O que que a Bahia tem, 1980,e O teu cabelo não nega (Só dá Lalá), 1981 , o primeiro de composição sua com Darcy do Nascimento. Em 1982, levou outro samba de sua autoria para a avenida: Onde Canta o Sabiá, em parceria com Tuninho e Darcy do Nascimento. De volta na Imperatriz, em 1989, é novamente campeão com o antológico Liberdade, liberdade! Abra as asas sobre nós, e 4º com Terra Brasilis, o que se plantou deu.

Em 1991, Dominguinhos vai para a Grande Rio, mas dessa vez não teve muita sorte, uma vez que a escola foi rebaixada do Grupo Especial.

De volta ao Estácio em 1992, o puxador pé-quente auxiliou a agremiação a levantar o Sambódromo e sagrar-se campeã com Paulicéia Desvairada, 70 anos de Modernismo no Brasil, um episódio marcante na história do carnaval. Despede-se da Escola em 1995, com o enredo em homenagem ao Flamengo.

dominguinhos do estacioNa estréia na Unidos do Viradouro, em 1997, foi novamente campeão, com o enredo Trevas! Luz! A Explosão do Universo. Hoje, já se passaram 11 anos como a voz oficial da agremiação de Niterói, três deles com sambas de sua composição: 1997, em parceria com Mocotó, Flavinho Machado e Heraldo Faria; 2005 (A Viradouro é Só Sorriso) com Mocotó, Flavinho Machado e Heraldo Faria; e 2007( A Viradouro Vira o Jogo) com Gusttavo Clarão, Gilberto Gomes, Nando, Pablo e PC Portugal.

Em 2004, Dominguinhos teve a felicidade de poder agradecer em plena Avenida à Virgem de Nazaré por tantas conquistas, ao ser o intérprete do samba reeditado em homenagem à Santa. Devoto, há 32 anos acompanha a procissão em Belém do Pará, e ainda deu o nome de Nazaré à sua filha e estúdio de gravação. Um homem iluminado, que saiu do Morro para o palco principal deste país. Mais um exemplo, como tantos já mostrados aqui, da força do samba no Brasil e sua capacidade de transformar a vida de quem se deixa envolver por sua magia. 

 

Se for falar da favela se liga

Compositor: Dominguinhos do Estácio


Se for falar da favela se liga
Foi lá que começou a minha vida

Entre becos e vielas
Eu olhava para o mundo
Mas o mundo não me via
Desespero na panela
Fala negra na janela
Era só o que existia
Foi driblando tiroteio
Que eu fiquei ali no meio
Consegui sobreviver
Mas essa realidade
Essa gente da cidade
Fecha os olhos não quer ver

Mas a minha mocidade
Foi dureza de verdade
Foi suor para ter um pão
Tive amigos, que saudade
E por outras faculdades
Foram viver de ilusão
Hoje vivo sem receio
Sou sambista, estou no meio
Canto samba por aí
Mas a minha felicidade
É ver a Comunidade prosperar e progredir

 

Premiações:
*Estandartes de Ouro (intérprete)- 1984- Estácio
                                                   2000-Viradouro

* Tamborins de Ouro (Voz da Avenida)- 2003 - Viradouro
                                                          2004 - Viradouro

*Prêmio Tribuna do Samba- 2006.

* Campeonatos- 1974 (Vai-Vai), 1980 (Imperatriz), 1981 (Imperatriz), 1989 (Imperatriz), 1992 (Estácio), 1997 (Viradouro).

Para sugestões e Comentários: rafaelodr@yahoo.com.br

 

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