Aniversariantes do mês:

A equipe do Boletim do Samba parabeniza todos os Sambistas Aniversariantes do mês de Julho e deseja muita luz, paz e saúde. Que Deus lhes conceda muitos carnavais. Abraços!!!

ESPAÇO ABERTO
1- Cris 24/07
SETOR 1

1- Dieguinho Mocidade 05/07

2- Philip Nascimento 20/07

 


 

Por Afonso Celso

 

 

Cris

 

1) Fala-me um pouco da forista Cris:

Sou nascida em Petrópolis/RJ, há quase 43 anos, porém, moro em Botafogo, no Rio de Janeiro. Sou formada em Letras e professora de Inglês, Português e respectivas Literaturas. Trabalho mais com aulas de inglês para executivos, em empresas. Além disso, quebro um galho como prestadora de serviços de revisão em um jornal GLS chamado O Sexo, além de revisar outros textos tanto em Português como em Inglês. Faço ainda traduções e versões e sou locutora amadora. Sou participante relativamente ativa do Setor 1, do site Esquentando os Tamborins, desde janeiro de 2005 e eventual do Espaço Aberto do site Galeria do Samba, onde entrei apenas esse ano, e ainda do fórum de discussão que existe no site do Império Serrano. Além disso, saio na ala de baianas do Império Serrano há 4 anos. Em 2008 vou tentar não estragar a bateria da escola. Passei a freqüentar as aulas de instrumentos da bateria que a escola oferece, além de todos os ensaios da mesma e, se tudo der certo, darei um tempo na baiana para realizar o sonho de sair na bateria.

2) Qual o melhor desfile que você já assistiu?

Pergunta difícil essa. Comecei a acompanhar os desfiles meio tarde. Na adolescência curtia brincar e paquerar nos bailes num dos clubes lá na minha cidade. Posso citar mais de um? Na era pré Sambódromo cito “Bum, bum paticumbum prugurundum” do Império Serrano em 1982. Singelo, relativamente pobre, mas arrebatador. Já na era pós Sambódromo houve muitos desfiles marcantes, mas registro aqui o primeiro que me veio à cabeça ao ler a pergunta: “Trevas! Luz! A Explosão do Universo” da Unidos do Viradouro em 1997. Acho que foi por conta, vejam, daquele carro preto que o Joãozinho 30 colocou na abertura, da magnífica apresentação da bateria e da comunidade da escola e do fato de eu ter cantado a pedra mesmo antes do desfile. Ao ver a escola armando na concentração, pensei com meus botões: Lá vem João 30! E ele foi...

3) Se pudesse mudar o carnaval o que mudaria?

Antes de tudo tentaria tornar todo o processo – da alocação de verbas em cada escola ao resultado final - mais transparente. Estamos tratando de uma das maiores paixões do povo do Rio de Janeiro e de uma das maiores atrações culturais do país. A coisa precisa se encarada de forma mais profissional e bem mais transparente. Acho que lutaria pela criação de uma emissora exclusiva, somente para tratar do assunto. Divulgar sambas, idéias, sinopses, rever antigos desfiles, relembrar melodias, fantasias. Criaria espaços definitivos para os barracões das escolas dos grupos de acesso. Não precisaria ter a grandiosidade nem mesmo toda a infra-estrutura da Cidade do Samba, mas abrigaria todas as escolas, inclusive organizando espaço para as que subissem ou descessem de grupos. Faria uma reforma no Sambódromo, aproveitando que mestre Niemeyer ainda está entre nós e contar, não só com sua autorização como também com sua colaboração. Gosto da idéia de arquibancadas no setor par. Não restringiria a venda de nenhuma arquibancada apenas a turistas. Eles podem ficar no meio de todos nós. Acho mesmo que teriam muito mais prazer assim, contagiados pela alegria dos foliões a sua volta. Nos desfiles em si, aumentaria o número de escolas no Grupo Especial para 14 e pensaria em aumentar um pouco o tempo de desfile de cada escola. Acho que 90 minutos pode ser uma boa solução para um andamento menos ‘marcheado’ - esse que vem dominando os desfiles hoje. Daria ainda mais espaço de propaganda e divulgação aos grupos de acesso e pensaria na possibilidade de alocar datas para ensaios técnicos dessas escolas. Acho que também faria uma melhor e mais atualizada divulgação do carnaval de rua e com certeza aumentaria o número de banheiros públicos – penso inclusive numa parceria com a prefeitura para a construção de banheiros de alvenaria em algumas áreas - em todas as áreas onde existam manifestações desse carnaval. Posso parecer ambiciosa, mas era o que faria.

4) Fale-me de um amigo do Fórum Tamborim e do Espaço Aberto:

Ainda não tive o prazer de conhecer nenhum forista pessoalmente. Nem tão pouco fiz amizade com nenhum deles, ainda que virtual. Andei trocando umas figurinhas com o Nil Guimarães, mas o rapaz anda sumido do Setor 1. Troco opiniões com todos nos temas que chamam minha atenção e participo dando ‘pitacos’ também.

5) Dentro dos antigos desfiles, o que deixou mais saudades?

Da galera toda cantando os sambas. De todas as escolas. Desde os componentes à platéia. Parece que quanto mais melhoram o som, menos as pessoas cantam. Além do estilo dos sambas ter sido modificado, acho que isso ocorre por conta da pouca divulgação que há, dos sambas, para o grande público. Quase não se ouve samba enredo em rádios FM e mesmo em programas de TV, populares ou não. Também sinto falta de uma certa... Inocência. Acho que essa é a palavra. A necessidade de precisão absoluta para ter bons resultados tirou um pouco – ou muito - do brilho espontâneo e inocente que havia antigamente.

6) Como é seu dia-a-dia?

Normal. Em casa faço ou uma revisão ou uma tradução, dependendo do que estiver na minha agenda e cuido dos 3 gatos vira-latas que dividem o ap comigo. Saio de casa para dar aulas e para fazer a revisão do jornal. Isso exceto quartas e quintas quando vou a Madureira ter aulas e ensaiar - e tentar não atrapalhar - com a bateria do Império. Nesses dias chego em casa bem mais tarde, porém, bem mais feliz da vida. Às vezes, não venho para Botafogo. Fico na casa de amigos especiais no Engenho de Dentro, onde, com bastante freqüência, também passo os finais de semana. Além de gostar de carnaval sou bem eclética musicalmente. Escuto de tudo um pouco: do Metal à MPB. Leio bastante também, jornais e livros. Sou uma pessoa bem simples. Gosto mesmo é de papear com bons amigos, tomando uma geladinha.

7) O que você acha dos enredos patrocinados?

Acho que a regra do jogo caminhou meio que para um beco sem saída. A atual necessidade de precisão e de exuberância acaba por sugar rios de dinheiro. O preço dos materiais sobe de maneira absurda com a proximidade do carnaval (e olha que hoje em dia o câmbio está ajudando). Mas não acho o patrocínio em si necessariamente uma coisa ruim. Precisa ser encarado por todos como via de recurso, de entrada de capital e não como um engessamento de idéias. O engessamento é que é muito ruim. O próprio Império Serrano já foi vítima desse engessamento: Em 1991 com o “É Por Aí Que Eu Vou” que foi desenvolvido mais como uma gigantesca propaganda do patrocinador do que como um enredo de escola de samba e que acabou por resultar no rebaixamento da escola – questionamentos de justiça à parte, e ainda em 1997 com “O Mundo dos Sonhos de Beto Carrero” que foi ‘menos ruim’, mas ainda assim mostrou - para mim, que fique bem claro - que desenvolver enredos patrocinados não combinavam com o perfil histórico-democrático do Império. Lamento que escolas troquem enredos próprios por enredos patrocinados, mas acho que esse lamento vem de uma nostalgia de tempos mais românticos e menos capitalistas. Ainda há desfiles não patrocinados e bons. Nada perto dos anos 70 e 80, mas, ainda assim, bons.
Acho que há outros caminhos de levantar-se capital sem patrocinar enredos. Posso estar sonhando, mas gostaria de ver implementadas fontes de recursos diversas das que estão aí. Raspadinhas, shows de samba, usando a hoje esvaziada Praça da Apoteose durante o ano, patrocínios de empresas para os projetos sociais das escolas (Como a Mangueira, por exemplo), possibilidade do uso de marcas comercias em outros lugares diferentes do macacão dos empurradores, que sequer aparecem na TV. Ou ainda que acontecesse como em outras produções culturais. Hoje em dia ninguém vai ao cinema, ao teatro ou até mesmo a um grande show sem ser exposto aos patrocinadores daquele evento. Poderiam criar uma maneira de fazer isso nos desfiles, veiculando essa exposição às transmissões de rádio e TV. Algo tipo: “Esse desfile tem o apoio da empresa tal e do sabão em pó tal, aquele que lava melhor sua fantasia de carnaval” – não resisti, desculpem rs – ou coisa parecida (Imagino que haveria certo confronto entre patrocinadores, mas, acredito que isso possa ser contornado com uma política de inteligência.).

8) Como passou a torcer pela sua Escola de coração?

Como disse antes sou de Petrópolis e amante ‘tardia’ dos desfiles. Não comecei desde pequena. Fui iniciada mais tarde um pouco, já com uns 20 e poucos anos. Sempre fui aficionada por baterias. Já havia ouvido algumas baterias das escolas de minha cidade (Sim, elas existem!!!) e outras bem mais famosas na Praia de Copacabana. Um dia, fui à quadra do Império levada por uma amiga imperiana histórica. Estava tudo meio calmo - era um ensaio de domingo que tomaria as ruas de Madureira. Nessa época o Império estava no grupo de Acesso – ou sei lá o nome que o grupo tinha à época. Sabendo de minha paixão por baterias, minha amiga posicionou-me estrategicamente no meio da bateria do Império enquanto os ritmistas estavam armando. Distraída, com a novidade de estar pela primeira vez numa quadra de escola de samba e ter o prazer de ver tanta gente bonita e que fazia parte da história da nossa música, não percebi a movimentação desses ritmistas. Foi quando ouvi um ou 2 apitos e... Indescritível. A emoção foi imediata e chorei feito uma criança feliz. Pronto! Estavam selados minha paixão e meu amor pela escola. Com calma, já em casa, percebi que havia sempre preferido seus sambas e suas melodias. Que eram daquela escola verde e branca que me arrebatara num ensaio de domingo os sambas que mais curtia pular nos bailes do passado. Que foram de lá alguns dos maiores nomes do samba e da história do carnaval. Que era dela a coroa imperial, apelido pelo qual chamei mamãe por muitos anos toda vez que a abraçava. Que eram dela aqueles agogôs espetaculares e aquele ritmo que reconhecia – e ainda reconheço - no meio de mais mil outras baterias. Que eram dela aquelas baianas sempre vestidas a caráter, com pano da costa, saia rodada e muito garbo. Até que era ela que tinha cometido erros em desfiles passados, no entanto, sem jamais perder a gala. Não tinha mais jeito. Quando se perdoam erros desse jeito o amor é mesmo forte e eterno.

9) O que a prende nos fóruns?

Informações e troca de idéias. Estou apenas – e sempre - aprendendo com todas aquelas feras que teclam por lá, principalmente no Setor 1. Nos fóruns descobri que havia coisas que cercam o universo do carnaval que jamais poderia suspeitar e ainda que eu não era a única doida a achar que os desfiles de carnaval são uma coisa muito séria e merecem muito mais respeito do que se têm dado a eles. Que não era a única pessoa que, mesmo antes de ser participante de uma escola de samba, tinha fome de carnaval o ano inteiro.

10) Qual o seu Samba-Enredo preferido?

Dos antigos fico com “Heróis da Liberdade” de Silas de Oliveira, Mano Décio e Manoel Ferreira de 1969. Dos mais novos fico com “Fala Serrinha – A Voz do Morro Sou Eu Mesmo Sim Senhor” de Beto Sem Braço, Jangada e Maurição de 1992. Não é o mais bonito, mas para mim é um dos mais significativos que o Império levou para a avenida.

11) Deixe uma mensagem à galera dos Fóruns Tamborins/Espaço Aberto:

O confronto de opiniões é uma das coisas mais saudáveis de uma democracia. Parabéns a todos por manterem nosso democrático espaço em bom nível. E Obrigada por permitirem que ‘novatos’ como eu tenham tanta oportunidade para aprender, sempre.

12) Esta entrevista: Posso colocá-la no Boletim do Samba?

Sim, pode. E desde já peço desculpas pelas possíveis besteiras e por ter sido tão prolixa... Srs.

 

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