Por Afonso Celso

Brasil com Z é cabra da peste, Brasil com S é nação do Nordeste
A Estação Primeira de Mangueira em 2002, sagrou-se campeã ao trazer para Marquês de Sapucaí um de seus mais belos e animados desfiles, imortalizado por todos que amam o samba e o carnaval carioca, e nesta Edição resolvemos fazer um “remake” do mesmo.
O enredo muito bem escolhido e assinado pelo consagrado carnavalesco Max Lopes tem como pano de fundo o Nordeste de Padre Cícero, de Lampião, de Vitalino, de Zumbi dos Palmares e de tantos outros heróis que surgiram em meio a rebeliões, guerras, disputas, em situações adversas, que ajudaram o povo resolver seus problemas coletivos. Virgulino Ferreira, é quem apresenta-nos esta rica cultura, como um mestre de cerimônias, nos conta sobre o processo de ocupação do lugar, como o bravo sertanejo defendeu seu chão, por vezes derramando sangue e por outras seu suor. Uma terra árida, de temperaturas elevadas, escassez de água, que convergem para uma extremada luta pela sobrevivência, porém, toda essa “prova” é atenuada pelo trabalho, pela fé, pela perseverança e pela alegria. Aliás, o povo nordestino é festeiro, gosta dum “bate-coxas”, seja dançando o “miudinho”, o forró, ou exercitando-se ao som do frevo, maracatu, coco, congadas, quadrilhas, ao ritmo do boi-bumbá etc. Entre outros objetivos, a Escola tinha a intenção de mostrar ao mundo, a imensa contribuição sócio-cultural do povo nordestino à nação brasileira.
Lá na armação/concentração da Mangueira e antes mesmo do relógio iniciar a contagem oficial dos primeiros minutos de desfile, já se sentia que estava por vir um grande espetáculo, o pulsar da bateria Estandarte de Ouro daquele ano, comandada por Mestre Russo, já balançava o Setor 1 da Sapucaí. Jamelão defendeu com a temperança de sempre o belíssimo samba, também Estandarte de Ouro da categoria no referido ano, os 4.800 componentes adentravam na avenida com a tradicional animação mangueirense, emprestando sua euforia ao público presente no Sambódromo, que reagiram bem à passagem da Escola.
A Comissão de Frente foi uma das melhores do carnaval de 2002. Exibiu-se de forma original e com competência apresentou a Estação Primeira de Mangueira, sendo muito aplaudida, à medida que mostrava sua bela coreografia, uma réplica “viva” dos bonecos de pano que tanto divertem crianças em circos e praças em cidades do interior nordestino. Ao centro, traziam baús, donde saíam os bonecos, e apresentavam-se fazendo uma dupla homenagem (Mangueira e o Nordeste).
Max Lopes foi feliz também na concepção das alegorias e fantasias. Um desfile colorido, fugindo um pouco da predominância das cores oficiais da agremiação, validou o título a si atribuído de “Mago das Cores”. Carros grandes bem resolvidos, com elementos que serviram dar maior autenticidade ao enredo, destaque para o carro do “maior S. João do Mundo”, uma réplica dos folguedos juninos, muito comuns na região. A Mangueira faturou mais dois Estandartes de Ouro: Melhor Escola e Revelação(Reinaldo).
Desfiles Relacionados:
- Beija-Flor de Nilópolis/2001 – “A Saga de Agotime - Maria Mineira Naê”
- Caprichosos de Pilares 2001 - Goiás, um Sonho de Amor no Coração do Brasil
- Mocidade Independente de Padre Miguel 1999 - Villa Lobos e a Apoteose Brasileira
- Portela 1995 - Gosto que me Enrosco
- Mangueira 2002 - Brasil com Z é cabra da peste, Brasil com S é nação do Nordeste
- Unidos do Viradouro 1997 - Trevas! Luz! A explosão do Universo
- União da Ilha do Governador 1989 - Festa Profana


