Por Afonso Celso

Trevas! Luz! A explosão do Universo
Unidos do Viradouro/1997
Queridos leitores, brindemos juntos à recordação deste grande e suntuoso desfile, cheio de particularidades especiais, que o fizeram indelével em nossas memórias, surpreendente, impactante! Um verdadeiro marco na história do carnaval moderno.
Cabe-nos descrever não somente o desfile em si, mais alguns acontecimentos ocorridos com Autor do mesmo, uma sintética análise e contextualização pessoal e histórica desta grande personagem do carnaval carioca. O enredo fora assinado por Joãosinho Trinta, num momento delicado e desafiador, pois o mesmo ainda recuperava-se de uma isquemia cerebral. Aliado a isso, no ano anterior, a Viradouro ficara na 13ª colocação, com o enredo “Aquarela do Brasil ano 2000”, de sua autoria. Devido a isso críticas insurgiam quanto ao seu estilo, que estaria “ultrapassado”, que belos carnavais “já eram”, e, mais uma vez como em outras ocasiões, de forma fantástica, tal qual a Fênix, J.Trinta “renasceu das próprias cinzas”.
Trevas! Luz! A Explosão do Universo, é uma apologia à famosa teoria cosmológica “Big-Bang”, afirmando que o Universo era apenas caos e escuridão, e que depois de uma grande explosão, surgira a luz, e num processo de milhões e milhões de anos, surge a Vida, enredada às diversas fases cosmopolitanas, numa cronologia mutante, chegando ao surgimento do homem, estendendo-se até os dias atuais. A Campeã do carnaval carioca de 1997, na segunda noite do Grupo Especial, foi a segunda Escola a desfilar na Marquês de Sapucaí. De longe se avistava o negro das fantasias do Carro abre-alas, inédito, até o presente momento, precedido pela Comissão de Frente, com fantasias em prata, além das baianas com fantasias onde dominou a cor branca, gerando um contraste visual inesquecível neste primeiro setor do desfile. Logo depois, uma seqüência agradável e harmoniosa de cores do azul celeste ao laranja e vermelho, cor oficial da agremiação. Fantasias e alegorias bem acabadas, reluziam o brilho do conjunto nikitiense. Alas e alegorias reproduziam os Quatro Elementos vitais que compõe a natureza: água, fogo, ar e terra, destaque para o carro “A Terra”, uma representação de nosso planeta na fase primitiva, geologicamente falando.
Outra grande sensação neste animadíssimo desfile foi à bateria comandada por Mestre Jorjão, ao ressoar a famosa “paradinha funk”, uma novidade acústica, que fez “tremer” a estrutura física do Sambódromo carioca; nas Arquibancadas, o público aos gritos de “É campeã”, legitimava o último grande desfile de Joãosinho Trinta e salvo engano, o último desfile que literalmente “levantou o público”, na passarela do samba.
A protagonista tirou da Mocidade Independente por apenas 0,5(meio ponto) o sonho do bi-campeonato. Com este desfile, a Escola ao deixar a Praça da Apoteose, esculpiu seu nome entre as grandes escolas de samba do Rio de Janeiro, merecidamente, diga-se de passagem. O desfile rendeu-lhe ainda, o Estandarte de Ouro na categoria "Melhor Escola do carnaval carioca de 1997".
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