Por Afonso Celso

IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE/2000 – “Quem descobriu o Brasil foi seu Cabral, no dia 22 de abril, dois meses depois do Carnaval.”
Caro Leitor, em virtude da realização do PAN do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, nesta temporada, e que teve sua Abertura assinada por Rosa Magalhães, num trabalho admirável, congratulamos o evento como um todo, e, mais ainda a Nação brasileira, achamos por bem trazer nesta Edição um desfile memorável, que retratou fidedignamente a saga do Descobrimento do Brasil, mais um grande desfile assinado por Rosa Magalhães! O público presente ao maior espetáculo da Terra, se rendeu a um dos mais belos desfiles da Marquês de Sapucaí. Em meio a um carnaval temático, todas as 14 escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro, fariam, com seus enredos, alusão a 500 anos da descoberta da “Terra Brasilis”. Coube à verde-e-branco de Ramos enfatizar em seu enredo, tão somente o ato do descobrimento destas terras pelos portugueses. Historicamente falando, este acontecimento se deu no Século XVI, época em que os Ingleses, Portugueses e os Espanhóis aplicavam-se em empreender expedições à “além-mar”. Grandes navegadores como Américo Vespúcio, o espanhol Vicente Pizon, e tantos outros que antecederam Pedro Álvares Cabral, a mando do Monarca português, o Rei D.Manoel que na ocasião tinha a missão de trazer das Índias, especiarias, perfumaria, temperos e condimentos para serem utilizados na produção de remédio, ouro, em fim, riquezas do oriente e que propositalmente ou não, mudou-se o curso da viagem e de repente avistaram uma terra desconhecida, um verdadeiro paraíso a céu aberto, deram de cara com os habitantes do lugar, índios aos milhares, que não entendiam a linguagem dos portugueses e ignoravam os costumes dos “brancos”. Na tripulação, além dos “funcionários da coroa”, estava Pero Vaz de Caminha, que escreveria a carta a Dom Manoel, descrevendo o Brasil. Passaram-se quarenta e dois dias desde que a armada chefiada pelo fidalgo português se lançara ao mar, com destino às Índias, com dez naus e três caravelas. Haviam também um interprete que falava hindu e árabe, um grumete da Guiné e um escravo de Angola, além de vários portugueses. Havia homens de três continentes conhecidos. Estava descoberto o Brasil!, e no encontro desses homens; branco, negro e o índio, esboçava-se a origem do povo brasileiro. Aí Peri beijou Ceci ... e mais tarde chegaram outros povos: alemães, gregos, italianos, judeus, ucranianos, chineses, japoneses, polacos, árabes, espanhóis... e cá estamos nós revivendo esta história, que aconteceu há 500 anos, dois meses depois do Carnaval!.
A comissão de frente da Imperatriz, veio reproduzindo a esquadra de Cabral, com uma coreografia similar ao balançar das embarcações, além de outros movimentos típicos ao das “Caravelas ao mar” apresentou o enredo, merecidamente, levou o Estandarte de Ouro do Ano.
O Abre-Alas era suntuoso, na parte frontal, um Globo vazado, giratório e no seu interior, réplicas das embarcações que singravam mares, em busca de riquezas e conquistas, como prediz a sinopse do Enredo. A parte superior do carro, uma edificação, parte do conjunto arquitetônico português, representava a Pátria-Mãe donde partiu a Expedição de Cabral.
As baianas da Imperatriz vinham em seguida, lindas, trajando uma indumentária luxuosa, com predominância do branco e adereços em verde limão, salmão e dourado. Animadas, empolgaram o público e conquistaram o Estandarte de Ouro da categoria. Diversas belas alegorias figuraram neste desfile, setores com cores fortes, onde fora lembrado os costumes dos índios, povo nativo destas Terras.
Destacamos a Ala das baianinhas, com fantasias em verde e amarelo, eram baianas, com tabuleiros cheios de iguarias do Brasil, Esta Ala também ganhou Estandarte de Ouro, como Melhor Ala do Ano.

Uma seqüência de belas Alegorias eram mostradas durante o desfile da Leopoldina. Esta Alegoria ao lado mostra bem a riqueza de detalhes e o acabamento primoroso da carnavalesca Rosa Magalhães.

Chiquinho e Maria Helena saudando o corpo de jurados, de Mestre-sala e Porta-bandeira, numa inesquecível apresentação, onde o casal traja uma fantasia com cores exóticas, com motivos afro, fazendo menção ao negro que compõe parte da colonização tupiniquim.

O samba composto por tradicionais compositores da agremiação de Ramos, como: Marquinhos Lessa, Tuninho Professor, Guga, Amaurizão e Chopinho. Defendido com galhardia por Paulinho Mocidade, ladeado por auxiliares como Elymar Santos.
A Imperatriz vence pela sétima vez no Grupo de Elite do carnaval carioca, e acumula em sua galeria a lembrança deste belo carnaval.
Não percam! Na próxima Edição outro grande desfile, até lá!
VÍDEO DO DESFILE:
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