Aniversariantes do mês:

A equipe do Boletim do Samba parabeniza todos os Sambistas Aniversariantes do mês de Julho e deseja muita luz, paz e saúde. Que Deus lhes conceda muitos carnavais. Abraços!!!

ESPAÇO ABERTO
1- Cris 24/07
SETOR 1

1- Dieguinho Mocidade 05/07

2- Philip Nascimento 20/07

 

 

Por Afonso Celso

 

portela 95
PORTELA 1995 - GOSTO QUE ME ENROSCO
(Assista o vídeo no final da matéria)

E a Portela cantou:

"Perguntei ao espelho meu
Qual delas é mais linda do que eu
Ele então me respondeu
Mas linda do que eu só eu..."



PORTELA 95A tradicionalíssima Portela pedia à "corte do samba" que abrissem alas, para a Escola passar, num desfile que ficou na história, entre os grandes carnavais da azul-e-branca de Madureira. O enredo de autoria do carnavalesco José Félix, tratava principalmente da evolução e transformações do carnaval. A canção "Gosto que me enrosco" deu nome ao enredo, servindo de inspiração e foi o fio condutor para recontar a história do carnaval brasileiro. Traremos na íntegra, trechos da sinopse:

 

 

 

 

 

 

portela 95"Nos tempos coloniais, havia o entrudo, uma das tradições que herdamos dos portugueses. Os foliões convidavam ao entrudo, que consistia em jatos d’água esguichados com bisnagas, ou mesmo atirados em baldes. Os limões-de-cheiro, fabricados com cera e com recheio de água perfumada, eram mais galantes.

A imprensa desenvolvia unia campanha contra. A favor de um carnaval ao estilo das festas européias, principalmente das venezianas.
A sua decadência atrai a imaginação popular para a confecção das máscaras, feitas de cera muito fina ou de papelão. Simulavam caras de cão, de gato ou de porco. Cabeças articuladas com bigodes e barbas, olhos que piscavam e queixos móveis. O primeiro baile de máscaras em teatros cariocas, foi feliz idéia de unia atriz estrangeira. Abram alas para as colombinas. O aparecimento desses bailes foi de grande importância para a participação da mulher no carnaval. Festa que antes, na opinião de quase todos os pais, moça de família não deveria participar.
Do entrudo, passou o folião carioca às batalhas de flores copiadas do carnaval de Nice. As batalhas de confete, do Carnaval de Nápoles.
Não se sabia ainda, o que eram: cuícas, tamborins e demais instrumentos de percussão, que integram as baterias das Escolas de Samba de hoje. O bumbo, ou zabumba, surge no carnaval introduzido por um português, conhecido por Zé Pereira, tradição durante meio século.
Dele, evoluíram os cordões e blocos que passaram a usar, além do bumbo, cuícas, tamborins, pandeiros e frigideiras.
Surgem as primeiras sociedades carnavalescas em 1850. O Congresso das Sumidades Carnavalescas foi pioneira. Vieram os Tenentes do Diabo, dos Fenianos e Democráticos. Foram associações importantes também para a Abolição da Escravatura. Coletavam dinheiro em suas passeatas para comprar e alforriar escravos.
Dançavam a quadrilha, o xote, a valsa, a polca. A partir de 1870, o maxixe, a dança excomungada. Primeira dança nacional (uma mistura de polca com lundu africano).
Ao final do século passado, os trabalhadores do cais do porto (negros, mestiços, mulatos), deram início ao samba. Os maxixes aproximaram-se do samba urbano de hoje. Concentravam-se nas imediações da Pedra do Sal, no bairro da Saúde, nesta "Sebastinópolis", verdadeiro reduto de usos e costumes trazidos da Bahia.

 


portela 95Nascem os primeiros ranchos que deram outra feição ao carnaval carioca. Desfilavam com enredos cheios de esplendor, arte e riqueza.
Os baianos residentes no Rio, ao trazer seus rituais religiosos e festivos, danças e representações folclóricas, encontraram no carnaval um novo centro de interesse. O carnaval torna-se, nas zonas urbanas, especialmente em Salvador, Rio e Recife, um catalisador do folclore. Chama a si e incorpora os cucumbis baianos, o maracatu de Pernambuco, os congos e congadas, as taieiras e o quilombo. Iniciou-se por esse tempo, o carnaval de rua hoje conhecido. Os cariocas que iam participar dos festejos públicos, desembarcavam dos bondes estacionados em lugares determinados, antecipadamente anunciados pela imprensa. Do início deste século em diante, o carnaval modifica-se constantemente. A Praça Onze transbordava. Dos lados do Cais do Porto e do Mangue, ouvia-se um baticum forte de tambores. O bonde lotado, despejava piratas, odaliscas, malandros de chapéu-palhinha cetins e lamês brilhantes. Bigodes e cavanhaques postiços. Cheiro de suor e do lança-perfume Rodo Metálico. A classe média desfilava de pierrô colombina e arlequim. Os automóveis abertos, ou corsos, eram a novidade. A marchinha "Ó Abre-Alas", de Chiquinha Gonzaga, era invencível desde 1899. Mas cedia a vez ao tango-chula "Vem Cá, Mulata". A iluminação a gás era substituída pela elétrica.
"Pelo Telefone", primeiro samba, abriu caminho para o novo ritmo que chegava. Nos anos 20, a difusão do rádio ameaçava esvaziar os Teatros de Revista. A Festa da Penha, depois do carnaval, seria o maior acontecimento popular do Rio. Acontecia o início do carnaval, pelo menos ao que se referia à música. Compositores lançavam suas obras, já de olho no carnaval seguinte. Multidões acorriam ao subúrbio. Daí a razão dos lançamentos ali. Composição consagrada na Penha, seria êxito indiscutível em fevereiro. Os velhotes de bengala e polaina paqueravam as damas na Confeitaria Colombo.
O samba adquiria seu ritmo próprio e envolvente. Surgia no Estácio a "Deixa Falar", com idéia diferente dos ranchos, na coreografia e na organização.
O aparecimento das Escolas de Samba decretou a decadência dos ranchos. Já vai longe o tempo em que um grupo se reunia na casa da Tia Ciata. Aí nasceu o primeiro samba gravado.
Resta o consolo de que, o carnaval vale pela descontração e consiste em criar um ânimo novo. Com pessoas acreditando mais nas coisas e nos homens. As Escolas de Samba, ainda estão aí: luxuosas, coloridas, desfilando os amores pomposos, os mundos encantados e misteriosos, como o povo gosta.
A sua antiga pureza desapareceu, industrializadas ou não, o fato é que elas continuam sendo o grande, talvez o único, espetáculo desse nosso antigo carnaval de rua.
É preciso cantar e alegrar a cidade. As Escolas de Samba não se deixaram abater pelos modismos de cada época. Adaptaram-se. Levantaram, sacudiram a poeira e deram a volta por cima.”(José Félix)”.

PORTELA 95A Portela foi a penúltima escola a desfilar na primeira noite de desfiles, e já com o sol raiando, que por sinal favoreceu bastante no que tange à cromática do desfile, Desfilando luxo e alegria, a escola foi saudada pelo público desde a entrada da comissão de frente, formada por ilustres portelenses: Zeca Pagodinho, Chico Santana, Monarco, Casquinha, Ari do Cavaco, Alberto Lonato, Wilson Moreira, Carioca, Jair do Cavaquinho, Casemiro, Marcos, Edir Gomes, Periquito e Jorge do Violão e apresentada por Tijolo, famoso passista, falecido em 2001. Mais uma vez, a Águia portelense contagiou o público, com uma máscara em azul e branco, trazia um chapéu, que fizeram-na graciosa e imponente, sabiamente confeccionada com material furta-cor, que, sob a emissão dos primeiros raios solares, refletiam variadas cores e tons, dando a impressão de estar acesa. O Samba bastante harmonioso serviu com perfeição à Escola, um conjunto de fantasias e alegorias eram de sumo bom gosto, dando preferência para as cores tradicionais da Escola, o branco e os variados tons de azul. Alas que lembravam todas as principais organizações carnavalescas, em relação à respectivas épocas. Um desfile irrepreensível, destaque ara o carro do bondinho(Ri Antigo), com o Rei Momo ao fundo. O carro do Zé Pereira, com bonecos gigantes. O Luxo também fora uma marca registrada, como nos mostra este belo destaque. Outra Alegoria reproduzia os ícones ou figuras tradicionais do carnaval, como esta, abaixo a Ala dos mascarados. A Velha Guarda também se fez notar, pela tradição e animação, destaque a Paulinho da Viola, ilustre e tradicional torcedor da águia de Osvaldo Cruz. A Portela foi a Vice-Campeã, e, ganhou três Estandarte de Ouro: Melhor Escola, Melhor Samba Enredo e Melhor puxador: Rixxa. O povo conclamou a Escola como campeã, apesar do resultado, portanto, diz-se que foi a campeã moral do carnaval carioca de 1995.
 
Aos Portelenses com carinho, em especial nosso colunista Amilton, um paranaense apaixonado pela Portela!
 
Até a próxima!





Nota do Editor:

Que saudade dos bons tempos, hein portelenses!

Este vídeo traz uma curiosidade: O intérprete Carlinhos de Pilares está fazendo a segunda voz, com aquele jeito que lhe era peculiar, e sem dúvida ajudou e muito para o Rixxa conseguir levar o Estandarte de Ouro.

QUE DESFILE!!!

 

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- Portela 1995 - Gosto que me Enrosco

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