Aniversariantes do mês:

 

 

 

 

Por Afonso Celso

 


mocidade 99
MOCIDADE INDEPENDENTE DE PADRE MIGUEL 1999
"Villa Lobos e a Apoteose Brasileira"

 

 

mocidade 99Vamos juntos recordar, o inesquecível desfile da representante da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. Sensacional, harmônico, um “colírio aos olhos” de quem presenciou na ocasião e aos que voltam a rever esse “cortejo”, que fora “augustamente” desenvolvido por Renato Lage, fazendo alusão à “brasilidade”, tão presente nas obras do maestro e compositor Heitor Villa-Lobos, o “gênio tropical”.

Duas célebres frases do músico traduzem a essência do enredo: “O Brasil tem a forma geográfica de um coração, todo brasileiro tem este coração”, e “A música movimenta as almas”. Reconhecido na Europa através dos seus poemas sinfônicos, como “Uirapuru” e o balé “Amazonas”, disponibilizando ao Velho Mundo a força e o paisagismo do paraíso verde, causando surpresa e admiração, seus musicais traduziram de forma magistral todo esplendor dos trópicos. Sua Obra é marcada pela compreensão e valorização dos variados ritmos e tipos de músicas produzidas em solo brasileiro, da cantiga de roda ao canto místico do Pagé, choros, reprodução dos sons da floresta, do canto e dança dos negros as Bachianas. A Mocidade foi a 5ª escola a adentrar na Marquês de Sapucaí, na segunda noite de desfiles do Grupo Especial, embalada com um samba melódico, conduzido pela magistral bateria da Mocidade, que manteve ininterruptamente uma cadência invejável.

mocidade 99A Escola já foi impressionando o público logo na entrada, pois, com uma Comissão de Frente formidável, onde os componentes, caracterizados de “sapos cururus” causavam impacto, arrancando calorosos aplausos do público presente ao sambódromo naquele momento, logo se notou que estava por vir um grandioso desfile. Como tal viu-se um abre-alas imponente, e as alegorias nele contida externavam toda a pujança da flora brasileira, um dos abre-alas mais bem concebidos de toda a história de desfiles desta Agremiação. As baianas rodopiavam com elegância e desenvoltura portando uma fantasia bem regionalizada, sob as cores verde, amarelo e azul, ajudando a fortalecer a total brasilidade do enredo.

mocidade 99Destaque também à alegoria de um gigantesco pierrô, onde alguns detalhes chamaram a atenção de todos. A gola do mesmo, fora confeccionada com copinhos descartáveis, causando um efeito surpreendente, de muito bom gosto, com material barato e accessível. Uma máscara estava sobre o rosto, enaltecendo a festividade e a expressão do carnaval brasileiro, através de uma de suas figuras mais tradicionais. Uma espécie de gorro escuro contrastava com a brancura e os tons dos olhos e dos lábios do mesmo. Uma inesquecível e brilhante alegoria. Ainda nessa vertente demonstração artístico-visual, um carro que trazia as etnias do povo brasileiro, mesclando o negro com índio, branco com negro e branco com índio, outra feliz produção alegórica.

mocidade 99O Ator Marcos Palmeira foi escolhido para representar o Maestro Villa-Lobos, em meio ao último carro do desfile, em meio a um réplica de uma sinfonia, ladeado por músicos, que simulavam a execução dos musicais produzidos e veiculados em sua valorosa carreira.

A Mocidade Independente de Padre Miguel ganhou com este desfile o maior número de premiações de sua história: quatro Estandartes de Ouro: Melhor Enredo, Melhor Escola, Mestre-Sala(Rogério) e Revelação(Nira). Cinco Tamborins de Ouro: Alegorias, Fantasias, Escola mais comunicativa e mais criativa do ano de 1999. Apuradas as notas, a escola ficou na 4ª colocação, onde mediante a competência do desfile, deixou a passarela sob fortes gritos de “É campeã!”, e na opinião de muitos fora aclamada “campeã moral” do certame.

Na próxima edição um desfile da Academia do Samba, para o deleite dos torcedores do Salgueiro, não percam!.
Contatos: acelf@pop.com.br.

 

Veja o vídeo do desfile!

 

 

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