tradicao do samba

Aniversariantes do mês:

A equipe do Boletim do Samba parabeniza todos os Sambistas Aniversariantes do mês de Junho e deseja muita luz, paz e saúde. Que Deus lhes conceda muitos carnavais. Abraços!!!

ESPAÇO ABERTO
1- Rogério Rodrigues 03/06
2- Fábio-Original 13/06
3- Alex Salgueiro 04/06
4- Matheus Madeira  14/06

5- Maurício Barbosa  07/06

SETOR 1

1- Alessandro Ostelino 11/06

2- Amante do Samba 22/06

 


Por Thatiana Pagung

 

CARNAVAL E CHANCHADA

 

Em pouco mais de cem anos de cinema brasileiro, nenhum gênero de filmes foi tão brasileiro como o das chanchadas.

Desde 1908, quando foi feito o primeiro registro em película do carnaval brasileiro, os dias de folia nunca mais saíram das nossas telas. Mas foi só na década de 30 que o carnaval começou a ganhar força nas telas do cinema. Em 1927 o cinema falado chega aos EUA, e em 1929 no Brasil.

Adhemar Gonzaga, em 1930 fundou um dos primeiros e maiores estúdios no Brasil, a Cinédia, chamada de Hollywood brasileira. Diversas pessoas de outros países foram contratadas para trabalhar nas produções do estúdio por não ter profissionais técnicos experientes no país. Na Cinédia foram produzidos os precursores das chanchadas: as pré-chanchadas, que misturavam o carnaval, o circo, o rádio e o teatro em filmes que retratavam donas de pensão, o malandro brasileiro, desocupados, e empregadas domésticas, tentando sempre atingir um público maior, com linguagem oriunda de outras manifestações artísticas que já faziam sucesso. Os filmes juntavam o som, recém incorporado ao cinema, e os musicais teatrais.

Outra produtora carioca, a Atlântida Empresa Cinematográfica do Brasil S.A. descobriu nos filmes carnavalescos um grande negócio, capaz de fazer muito sucesso entre o público brasileiro. A Atlântida foi fundada em 1941, no Rio de Janeiro. Tinha o objetivo de estabelecer, à sua maneira, uma indústria cinematográfica nacional.

Durante quase dois anos são produzidos somente cinejornais. Em 1943 acontece o primeiro grande sucesso da Atlântida: Moleque Tião. Dirigido por José Carlos Burle, com Grande Otelo no papel principal e inspirado em dados biográficos do próprio ator.
De 1943 a 1947 a Atlântida consolida-se como a maior produtora brasileira.

A partir de 1947, sua produção foi direcionada aos gêneros carnavalescos e da chanchada, tornando-se marca registrada da empresa.

Agora, será que esses filmes carnavalescos mostravam o carnaval da época?

Heitor dos Prazeres, sambista, compositor, pintor primitivista carioca, apelidou a Praça XI de “África Mirim”, pois lá você encontrava o verdadeiro “samba no pé”, o folião vindo das classes sociais mais baixas, na maioria negros que sambavam, seus ritmos de origens, com os pés descalços.

A Praça XI teve seu apogeu e em seguida veio o progresso, inaugurando um novo meio de se brincar o carnaval: o Corso, automóvel que desfilava com as capotas arriadas em meio a fileiras de foliões, fantasiados, travando batalhas de confetes, serpentinas e jatos de lança-perfume. A modernização dos automóveis contribuiu para o desaparecimento do alegre Corso.
O Corso foi sumindo, e os bailes foram surgindo, nova moda importada das cidades européias, onde o carnaval do Rio começou a tomar uma forma mais abrangente, como festa popular.

A festa popular passou entre marchas e sambas, cordões, ranchos e blocos, até resultar num produto inteiramente brasileiro no carnaval: as Escolas de Samba, que em 1935 foram oficialmente reconhecidas, tendo que legalizar sua situação na Delegacia de Costumes e Diversões, onde receberam o alvará de funcionamento e foram registradas como “Grêmios Recreativos”, passando a receber subvenção da Prefeitura.

O carnaval carioca foi crescendo e tornando-se identidade do nosso povo, sendo a chanchada um gênero de forte apelo popular, usando elementos e músicas carnavalescas que faziam sucesso entre o público. Com um humor ingênuo, burlesco e que definia o cinema nacional de meados do século passado, as chanchadas podem ser definidas como comédias com toques de sátira política e paródias de gêneros do cinema norte-americano.
As chanchadas não mostravam o carnaval como conhecemos atualmente, não se preocupavam com o realismo, em mostrar o desfile, as escolas, e sim transmitir a essência da folia, seu ritmo, sua musicalidade, possuía elementos de brasilidade que encantavam a todos.

Foi na chanchada que se destacaram diretores como Watson Macedo, José Carlos Burle, Moacir Fenelon e Carlos Manga, e atores como Oscarito, Grande Otelo, Anselmo Duarte e Cyll Farney, o “galã das chanchadas”; as "mocinhas" Eliana, Fada Santoro, Adelaide Chiozzo; os "vilões" José Lewgoy, Renato Restier, que entre outros, encantaram o público durante tantos anos.

De norte a sul, os programas de auditório transmitiam pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro a participação de grandes cantores, e com isso, tinham imensa audiência. O rádio tinha um número muito grande de ouvintes porque ainda não existia a televisão. Ele acabava sendo um dos únicos meios de comunicação capazes de levar entretenimento ao público que não tinha acesso aos cassinos. Os fãs lotavam os cinemas para ver na tela o ídolo que admirava antes apenas pela voz, pois queriam conhecer e admirar sua fisionomia. Funcionava como um star-system a partir do rádio.

A chanchada incorporou o carnaval não só como tema, mas como filosofia de cinema. Era absolutamente a carnavalização do cinema brasileiro. O modo como os atores interpretavam até as cenas que não eram musicais era carnavalesco por excelência, uma permanente farsa, com tipos, alegorias e situações, e sempre com a mensagem implícita de que tudo se resolvia com o carnaval, onde a folia era a grande redenção.
A chanchada chegou à sua quarta-feira de cinzas na década de 60, e o carnaval passou a ser retratado de forma mais realista pelos “cinemanovistas”.

 

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