

Por Thatiana Pagung
A EVOLUÇÃO DAS ESCOLAS DE SAMBA NAS TELAS DO CINEMA NACIONAL
No final da década de 20, as Escolas de Samba começaram a surgir.
Nascidas no Rio de Janeiro, elas foram imitadas em quase todo
território nacional, e também internacionalmente. Por volta de 1940,
as escolas obtiveram o direito de desfilar nas avenidas centrais da
cidade.
Boa parte das transformações, que perduram até hoje, aconteceu a
partir da década 60 – modificando, aos poucos, o perfil original do
universo das escolas de samba, com oficialização dos desfiles cada vez
maior, entrando no processo de "profissionalização" das escolas.
No final década 60 acontece a gravação dos sambas-enredo das Escolas de Primeiro Grupo (como as do Grupo Especial hoje).
Entre 1960 – 1970 vai acontecendo à penetração cada vez maior de
segmento de classe média nas escolas, o tão chamado "embranquecimento do samba". Também surge à figura do "patrono da escola" – espécie de mecenas, que financiava os desfiles. O bicheiro passou a ter "respeitabilidade" que como contraventor, não teria, pois levava benefícios a algumas comunidades. As escolas começaram a agradar os governantes com seus enredos ufanistas. A Beija-Flor com seu patrono, Anísio Abraão, na época ficou rotulada com "escola oficial do regime".
Em 1976, a Beija-Flor investe contratando o carnavalesco campeão do
ano anterior no Salgueiro, Joãozinho Trinta, com "As Minas do Rei Salomão". A Escola deixa de lado, então, os enredos ufanistas e leva
para avenida um enredo sobre o jogo de bicho, "Sonhar com Rei dá
Leão", consagrando-se campeã. Joãozinho Trinta inaugura, então, a era das "superescolas" de samba, através de alegorias monumentais e
fantasias luxuosas. Trouxe o gigantismo, luxo e exuberância visual.
Com toda essa evolução, durante o ano, os ensaios semanais viraram"show pagos" – como casa de espetáculo. As Escolas do Grupo Especial, não realizam apenas um desfile, mas sim um belo "Espetáculo", sem esquecer, claro, que tudo é um grande "concurso", onde a disputa é pesada.
As transmissões ganharam muito em imagens, e os filmes mais atuais
sobre carnaval, mostram, na verdade, as Escolas de Samba, pelo
sinônimo adquirido ao longo dos anos. Dois filmes para se observar a
evolução do carnaval carioca, pelo olhar de Carnaval igual Escola de
Samba, comparando as épocas são: "O Orfeu Negro", de 1959, e sua
versão de 1999, em "Orfeu".
O primeiro filme é um clássico. O filme conta a história de Orfeu, um
sambista carioca, que se apaixona por uma jovem que veio do interior,
mas o romance entre os dois provoca ciúmes em Mira, sua ex-noiva. A
jovem que veio do interior chama-se Eurídice, e é perseguida durante o filme pela "Morte", conseguindo levar Eurídice com ela.
Um grande elenco com: Breno Mello (Orfeu), Marpessa Dawn (Eurídice), Lourdes de Oliveira (Mira), Léa Garcia (Serafina), Alexandro Constantino (Hermes), Waldetar de Souza (Chico), Jorge dos Santos (Benedito), Aurino Cassiano (Zeca), Ademar da Silva (Morte).
Roteiro de: Marcel Camus e Jacques Viot, baseado em peça teatral de
Vinícius de Moraes; Direção: Marcel Camus;
Produção: Sacha Gordine;
Música: Luiz Bonfá e Tom Jobim;
Fotografia: Jean Bourgoin;
Edição: André Feix.
O filme teve um enorme sucesso recebendo as seguintes premiações:
- Ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
- Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro.
- Recebeu uma indicação ao BAFTA, na categoria de Melhor Filme.
- Ganhou a Palma de Ouro, no Festival de Cannes.
Na refilmagem, Toni Garrido interpreta Orfeu, e seu personagem é um
popular compositor de uma escola de samba. Residente na favela, ele se apaixona perdidamente quando conhece Eurídice (Patrícia França), uma nova moradora do local. Mas entre eles existe ainda Lucinho (Murilo Benício), chefe do tráfico local, que irá modificar drasticamente a vida de ambos.
As cenas do desfile de Carnaval foram realmente rodadas durante o
desfile na Marquês de Sapucaí, um ano antes ao lançamento de Orfeu. A escola de samba Viradouro foi escolhida para representar no filme a Unidos da Carioca.
Foi um grande desafio para o diretor Cacá Diegues, pois ao refilmar um clássico, todos esperam que o filme seja melhor, que traga mais
premiações do que o anterior, mas o filme foi apenas representante
brasileiro à categoria de melhor filme estrangeiro do Oscar 2000.
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