

Por Gustavo Monteiro
As Alas de Compositores fora do Carnaval
Essa semana a coluna vem homenagear o grande Jurandir da Mangueira que, infelizmente, nos deixou semanas atrás. Jurandir venceu 11 disputas de samba na verde e rosa.
Seus sambas-enredo mais lembrados são o de 84 (“Yes, nós temos Braguinha”) e 88 (“Cem anos de liberdade, realidade ou ilusão?”). Recentemente, Jurandir foi consagrado como baluarte da Estação Primeira. Participou do projeto “Meninos do Rio” (com compositores de várias escolas cariocas, como Monarco e Aluízio Machado, por exemplo) que rendeu um belíssimo CD com o mesmo nome. Teve em 2005 um disco gravado pelo selo “Candongueiro”.
Entretanto e infelizmente, este é muito difícil de ser encontrado. Ultimamente atuava com a Velha Guarda da Mangueira, sendo a voz principal do grupo (por sinal, Jurandir era um excelente cantor).
A música disponibilizada hoje é a bela “Transformação”, parceria dele com João Vieira dos Passos. A gravação é do disco “Mangueira – Sambas de Terreiro e outros Sambas” - outro disco raríssimo – na voz do próprio Jurandir.
Minha companheira foi embora
A solidão veio comigo morar
Já não tenho mais os lindos sonhos
Não há mais ninguém a me esperar
Quando me lembro
Daqueles olhos tristonhos
Sinto até vontade de chorar
Já não me dá mais prazer
De contemplar o luar
Pelos buracos do teto do meu barracão
Que já não é mais palácio encantado
Pois estou magoado, ferido no meu coração
Até esta vida que eu tanto amo
Sinto que está chegando ao fim
O meu barracão de madeira
Lá em Mangueira
Sem ela não é nada para mim
Abraços e até a próxima.
Gustavo Monteiro
ghmsiao@hotmail.com
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